Após denúncias, Procuradoria pede que hospital de SP investigue violência obstétrica

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Mulher recebe manobra de Kristeller durante o parto (Foto: Reprodução)

A Procuradoria da República de São Paulo solicitou que uma maternidade particular de São Paulo investigue a responsabilidade dos profissionais de saúde em casos de violência obstétrica que foram denunciados por pacientes que tiveram seus bebês no Hospital e Maternidade SacreCoeur, vinculado ao Grupo NotreDame Intermédica.

De acordo com o Ministério Público Federal, três mulheres relataram que foram submetidas a chamada manobra de Kristeller (quando alguém pressiona a barriga da mãe para ‘facilitar’ a descida do bebê)  por médicos e enfermeiros da unidade de saúde. Um dos bebês nasceu com fraturas e teve de ficar internado por vários dias.

Após receber a primeira denúncia, o MPF pediu justificativas para o hospital e a direção alegou em março deste ano que o procedimento não fazia parte do protocolo da unidade. No entanto, em junho deste ano, a Procuradoria recebeu mais dois relatos de vítimas de manobra de Kristeller na maternidade.

A Procuradoria recomenda que os casos sejam apurados e que os médicos e enfermeiros sejam formalmente comunicados de que o procedimento é ultrapassado e que os funcionários passem por treinamentos sobre métodos de humanização do parto.

A procuradora da República Ana Carolina Previtalli Nascimento, autora dos pedidos, também quer que cartazes sejam afixados na unidade alertando o público e a equipe médica para a proibição do procedimento. Essa é a sexta recomendação expedida a hospitais e órgãos de saúde na cidade de São Paulo por práticas agressivas no atendimento às parturientes. Desde 2014, o MPF-SP conduz um inquérito civil público para apurar casos de violência obstétrica em unidades da capital. 

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Além da manobra de Kristeller, são alvo da investigação a realização do corte na região da vagina para facilitar a saída do bebê (episiotomia), a infusão intravenosa para acelerar o trabalho de parto (ocitocina sintética), desrespeito à lei do acompanhante e ao alojamento conjunto, maus tratos verbais, cesarianas sem necessidade e contra o desejo da parturiente, entre outros procedimentos inadequados. Confira aqui como denunciar casos de violência obstétrica ao MPF.

OUTRO LADO

Procurado pela reportagem, a assessoria de imprensa informou que não houve violência obstétrica e que segue um protocolo oficial que contraindica a manobra de Kristeller. Em nota, o hospital diz ainda que faz treinamentos com seus funcionários e que não se opõe a fixação de cartazes orientando sobre boas práticas médicas.

“Informamos que, após a análise dos prontuários dos pacientes atendidos, concluímos que os dois partos em questão apresentaram complicações que ameaçavam a vida da mãe e do bebê ou somente a do bebê. Para tratar estas complicações foram realizadas manobras tecnicamente corretas e que certamente contribuíram para a boa evolução da mãe e do bebê. Concluímos portanto, que não houve violência obstétrica e que os procedimentos obstétricos aplicados foram tecnicamente corretos e determinantes da boa evolução dos dois partos”, diz  a nota.

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