Assembleia Legislativa de SP suspende matrículas e creche corre risco de fechar

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Parquinho em área aberta da Assembleia Legislativa de São Paulo

A maioria das salas, dos balanços nos parquinhos e dos berços e das camas estão vazios na creche da Assembleia Legislativa de São Paulo, localizada no Ibirapuera (zona sul de SP). Apesar de uma ótima infraestrutura para atender bebês de 4 meses até crianças com 4 anos de idade, atualmente são apenas 13 alunos na unidade para nove pedagogas, que agora tem pouco trabalho já que na unidade poderia abrigar até 40 alunos.

As vagas são voltadas para funcionários e funcionárias sejam eles concursados, comissionados ou filhos de deputados ou deputadas. No entanto, desde julho de 2017, não são mais abertas novas matrículas e, aos poucos, o espaço vai perdendo alunos. A previsão é que em breve as atividades sejam encerradas pois, assim que a criança completa 4 anos, vai para outra unidade de ensino. “Já não temos mais bebês no local, apesar de ter uma lista de pais interessados em matricular seus filhos na creche”, comenta um servidor, que pediu para não ter seu nome divulgado temendo represálias.

A reportagem do Mães de Peito conversou com outras servidoras que têm  interesse em ter os filhos na unidade de ensino, mas contam que desde julho de 2017 a Alesp suspendeu novos alunos. “A creche é excelente. Tem um atendimento maravilhoso, espaço adequado para as crianças, mas agora tem poucos alunos, pedagogas e espaços ociosos enquanto há uma fila de crianças para serem atendidas”, relata uma mãe.

Corredor da creche da Alesp

Outra servidora conta também que a creche facilita muito as mães no retorno ao trabalho justamente porque elas podem ir até o local na hora do almoço ou em qualquer intervalo. “As mães tinham a oportunidade de amamentar seus bebês e, é claro, ter a comodidade de ter seus filhos perto. Que mãe ou pai não quer isso?”, questiona outra funcionária da Alesp.

Um grupo de mães e pais tenta, sem sucesso, manter a creche aberta. A creche foi criada em 1979 e já passaram por ela cerca de 2.000 crianças. Procurada pela reportagem diversas vezes, a assessoria de imprensa não retornou para explicar o motivo da suspensão das matrículas.

Um documento do Recursos Humanos da Alesp que o Mães de Peito teve acesso diz apenas que  “não se trata exatamente de uma suspensão. A questão encontra-se sob definição e estudo do órgão colegiado”, diz o documento datado de junho de 2018 que foi, segundo os servidores, o último pronunciamento oficial do RH.

É importante ressaltar que, segundo dados da própria prefeitura,  a capital paulista fechou o ano de 2018 com 19.697 crianças à espera de uma vaga.  Essa é a menor fila de creche já registrada pela prefeitura, no entanto, ainda faltam espaços públicos para atender as crianças e é na zona sul, região onde fica a Alesp, que a demanda por vagas é maior.

Uma das salas da creche que atende funcionários da Alesp

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1 comentário

  1. Giovanna,

    importante analisar o contexto de nossa cidade. Quantas crianças aguardam vaga nas creches municipais?
    Isso é privilégio para um seleto grupo de munícipes (média salarial dos funcionários dessa casa é R$9.000,00, isso mesmo, NOVE MIL REAIS) será esse o caminho?

    Esses funcionários também tem a opção de receber reeembolso para seus filhos no valor de R$500,00.

    É muito gasto para um parlamento que custa R$1 bilhão por ano e produz tão pouco. Você não acha?

    Afinal, não estamos em crise?

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