Bebê tem quatro peitos para mamar

1
Compartilhe!

 

Teo recebe colo e carinho das duas mães (Foto: Gabi Trevisan Foto Natural)

Teo recebe colo e carinho das duas mães (Foto: Gabi Trevisan Foto Natural)

Ser mãe é não ter tempo para nada. No pós-parto, principalmente, com um bebê altamente demandante o que qualquer puérpera adoraria era ser mais de uma para  conseguir atender todas as mamadas e cuidados do bebê e, é claro, descansar um pouco.

Fernanda, 33, e Raphaela, 29, conseguem quase isso. Elas são mães de Teodoro, um bebê de três meses, que é amamentado em livre demanda. A diferença para os outros recém-nascidos é que o pequeno Teo não tem dois, mas quatro peitos à disposição 24 horas por dia.

Teo foi gerado no útero de Fernanda, mas as duas amamentam o bebê e se revezam nas  incontáveis mamadas diárias. Nanda, como prefere ser chamada, está de licença maternidade enquanto sua esposa é autônoma e consegue ter horários mais flexíveis justamente para cuidar do filho.

A decisão de ambas amamentarem surgiu durante a gestação pois Nanda fez uma mamoplastia há 18 anos e temia não conseguir produzir leite suficiente. “Pedi que a minha esposa pensasse sobre a possibilidade de também amamentar. Ela considerou e abraçou essa oportunidade. Foi então que buscamos uma médica especialista em aleitamento materno que nos orientou em como fazer para que a nossa vontade se tornasse possível”, conta.

Além de medicamento, a partir da 36ª semana de gestação, Raphaela passou a usar bomba para estimular a produção de leite. Esse processo de lactação induzida foi tranquilo, não enfrentamos dificuldades. No dia do parto, ela já estava com leite”, diz.

Apesar de parecer incrível a possibilidade desse revezamento com quatro peitos, a amamentação para essas duas mães não tem sido tão fácil como parece.

Nanda diz que no início Teo não recebia leite suficiente e que notaram que algo estava errado ao ver as fraldas secas. “Notamos que algo não ia bem pois chegamos a trocá-lo apenas duas vezes ao dia e, mesmo assim, as fraldas eram muito vazias. Por conta desse cenário, a médica orientou a usar o relactador de 3 em 3 horas, além de nos dividirmos com a amamentação em livre demanda”, detalha. Saiba mais sobre relactação clicando aqui.

A relactação é feita com leite artificial por conta da baixa produção de leite de ambas, mas a ideia delas é se livrar do relactador – e do complemento – o quanto antes. “Conseguimos amamentar o Teo sem o relactador nas mamadas noturnas. Fazemos cama compartilhada e ele dorme super bem.”

GRAVIDEZ E PARTO

Nanda comenta que as duas queriam ser mães, mas apenas ela tinha o desejo de gestar e parir. O processo todo para realizar esse sonho levou um tempo e foi bem intenso e cansativo. Foram cinco tentativas na sequência até chegar o sonhado positivo.

Elas optaram por um doador de sêmen anônimo pois não queriam na família alguém para ter o papel de “pai”. “Teodoro tem duas mães.  Tanto é que muita gente nos pergunta: ‘quem é o pai?’ E a gente busca enfatizar – e até mesmo uma forma de educar as pessoas nesse nosso universo – que o que temos é um doador e nada mais do que isso”, explica.

Nanda precisou passar por duas inseminações artificiais, uma FIV (fertilização in vitro) e duas TECs (transferência de embriões congelados). “Foram transferidos dois embriões na última tentativa e apenas um evoluiu.”

Desde o início da gestação o plano de ambas era que Teo nascesse em um parto domiciliar. No entanto, após 25 horas de trabalho de parto, elas optaram pela remoção ao hospital. “Já havia passado mais de 25 horas em casa, com contrações fortíssimas, e eu estava muito cansada. Mesmo com a transferência, foram mais sete horas de trabalho de parto no hospital para a chegada do nosso filho”, diz Nanda.

LEIA MAIS: Entenda mais sobre o parto domiciliar e saiba quem pode ter um

Raphaela acompanhou todos os minutos do trabalho de parto e participou ativamente das consultas de pré-natal, das aulas de yoga e cursos para gestantes. “No dia do parto ela ficou debaixo d’água comigo o tempo todo – eu escolhi a bola de pilates e o chuveiro como refúgio durante todo o trabalho de parto em casa. Ela me segurou em todas as contrações e me lembrava de que a cada nova dor, estávamos mais perto de ter nossa cria nos braços”, diz.

Assim que o Teo nasceu, ele foi para o colo de Nanda e Raphaela cortou o cordão logo que parou de pulsar. “Logo depois o Teo foi para o peito dela. Em sua primeira hora de vida, ele já tinha mamado nas duas mães”, recorda Nanda.  

*Os sobrenomes das mães de Teo foram preservados a pedido das entrevistadas 

Teo com suas duas mães (Foto: Gabi Trevisan - Foto Natural)

Teo com suas duas mães (Foto: Gabi Trevisan – Foto Natural)

1 Comentário

Deixe aqui o seu comentário

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.