Childfree: ninguém é obrigado a ter filhos, mas ódio às crianças não pode ser tolerado

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Ninguém é obrigado a ter filhos. Isso é fato. Mas, o movimento childfree (que significa livre de criança), que tem ganhado cada vez mais adeptos, principalmente, nas redes sociais não tem pregado que a maternidade/paternidade não devem ser compulsórias. Pelo contrário. O tal movimento tem disseminado um discurso de ódio contra as crianças defendendo, inclusive, a restrição de entrada delas em hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos.

O psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, que é especialista em terapia familiar, diz que o movimento childfree é hediondo e que acaba sendo um reflexo de uma sociedade pós-moderna individualista. Ser childfree, explica Amaral, não é optar em não ter filhos, mas afastar as crianças do convívio social. “Se esse tipo de movimento ganha corpo, vamos segregar a infância. As crianças têm necessidades de socialização, precisam correr, encontrar pessoas pois é assim que vão construindo todo o processo delas de ver o mundo, entender o mundo e construir a sua própria identidade”, comenta o psicólogo.

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A ativista e blogueira do Mamatraca, Anne Rammi, mãe de três crianças, diz que recentemente foi alvo de críticas ao jantar com os filhos pequenos em um restaurante. “Era fato que eu tentava orientá-los, pedindo que respeitassem todos por ali e tentando distraí-los com comidas, brincadeiras na mesa e pequenas chantagens envolvendo a sobremesa. A gente sabe que isso funciona um tempo e depois para de funcionar, assim mesmo são as negociações com as crianças”. Ela comenta que notou que havia “olhos sedentos” para que ela gritasse, agredisse ou desse um celular para aquietar as crianças. “Queriam que eu desse razão para os adultos, incomodados com crianças sendo crianças”. Em depoimento em sua página no Facebook, ela conta em detalhes como lidou com a situação e como as pessoas precisam aceitar que crianças são seres humanos.

Amaral diz que é importante entender que as crianças têm outro ritmo e que exigem que os adultos saiam do ritmo deles. “Vejo claramente que esse tipo de movimento é um dos motivos para trabalhar pela educação, pela não violência nas famílias. As pessoas que constroem esse ódio à infância, provavelmente tiveram uma infância violenta e se transformaram em adultos violentos contra à infância. Crianças bem cuidadas causam um certo nível de inveja para que não foi bem cuidado”, afirma. “Esse movimento é fascista, segregador de uma parte importante da sociedade que sãs as nossas crianças. As crianças representam a próxima geração e o que vai ser esse mundo. Segregar e odiá-las é plantar um tecido social odioso daqui pra frente.”

Muita gente que defende estabelecimentos que vetam a entrada de crianças fazem isso justificando que as crianças são mimadas, que falam alto, correm, enfim, que atrapalham os adultos dentro de um restaurante, por exemplo. “Se uma criança está incomodando, há formas de conversar com os pais, por exemplo. É preciso olhar como uma comunidade em torno da criança. Os adultos também podem ser muito inadequados em determinados momentos e nem por isso serão excluídos dos lugares”, diz o psicólogo.

Anne comenta ainda que as pessoas não percebem a  ignorância e preconceito que disseminam com o tal “childfree”. “Em nenhum outro cenário aceitaríamos movimentos contra grupos específicos de seres humanos, mobilizados por aversão a características estereotipadas, coisa característica do fascismo. Imaginem se alguém começa a fazer uma campanha para proibir idosos nos supermercados ‘porque são muito lentos’ ou coisa que o valha”, ressalta.

Para Anne, o discurso de ódio contra as crianças está crescendo. “Esse childfree é uma sandice e confirma  exatamente o que precisamos refletir: as crianças são prioridade absoluta e precisam de ampla proteção social, mesmo dos grupos que tenham optado por não ter filhos”.

2 Comentários

  1. Se eu optei por não ter filhos justamente pra não ter que cuidar e nem ATURAR criança nenhuma, vc acha mesmo que é minha obrigação ”cuidar” delas? me poupe! Quem pariu Matheus que o Embale!
    Isso é tarefa dos pais! Menos mimimi e mais educação aos pirralhos de vocês.

    • É função dos pais educarem seus filhos e impor limites, tem uma churrascaria que eu frequento aqui na minha cidade que é frequentada por adultos crianças e pessoas de todas as idades classes sociais etc. e eu fico impressionado com a educação que os pais que frequentam o lugar deram aos seus filhos, super educadas que sabem se divertir sem incomodar as pessoas.

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