Chocolate, feijão e café: mãe que amamenta não precisa restringir alimentos

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A mãe deve se alimentar com frequência e buscar alimentação saudável (Foto: Bia Takata)

A mãe deve se alimentar com frequência e buscar alimentação saudável (Foto: Bia Fotografia)

Muitas lactantes têm dúvidas se o que elas comem vai para o leite materno e se isso pode interferir, por exemplo, nas temidas cólicas dos bebês. Mas, afinal, as mães precisam deixar de comer algo enquanto amamentam?

A nutricionista e pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, Viviane Laudelino Vieira, diz que a produção do leite materno é fruto do organismo da mãe. “O que ela come contribuirá para a formação do leite. No entanto, a mãe a princípio pode comer de tudo e não precisa restringir alimentos como o feijão, que é importante, por algum receio. Ela deve observar o bebê nesse período. Algumas vezes, notamos que o bebê chora mais ou demonstra incômodo após consumimos determinados alimentos. Se conseguir fazer essa associação, aí sim vale pensar na restrição”, comenta Viviane, que também é  autora do blog Maternidade Sem Neura. Em alguns casos, o bebê pode apresentar APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) e, nesse caso, é preciso fazer uma dieta restringindo mais alimentos. Confira mais sobre o assunto clicando aqui.

A única substância que o Ministério da Saúde aponta cautela para consumo é a cafeína, sob o risco de interferir no padrão de sono (que já não existe muito nessa idade) e na “agitação” do bebê. “Nesse caso, é bom não exagerar em café, chá preto, refrigerantes à base de cola e o chocolate”, orienta. No entanto, se consumir com moderação, não há problema algum. A nutricionista comenta que o feijão é tido como o vilão por poder favorecer a produção de gases. “Mas muitos bebês cujas mães comem feijão não demonstram nada. Então, é importante observar antes de restringir, já que é um alimento rico em proteínas, fibras, ferro e ácido fólico”, orienta.

Viviane afirma que o leite materno é um alimento vivo e que tem seu sabor sutilmente alterado conforme aquilo que a mãe come. “Isso ajuda, no momento da introdução alimentar, na aceitação do bebê dos diferentes sabores. E isso não acontecerá com o bebê que usa fórmula, que apresenta um sabor constantemente igual”,explica.

Comer bem enquanto amamenta, explica Viviane, não é só visando a qualidade do leite, mas para que a mãe fique bem. “Ela provavelmente estará mais disposta em um período que traz demandas tão intensas a ela. Também se previne deficiências nutricionais e favorece o retorno do peso pré-gestacional”, comenta.

A nutricionista diz que é muito importante  ter uma alimentação variada, contendo frutas, legumes e verduras, cereais (de preferência, incluindo integrais), tubérculos e raízes (como batata, inhame, mandioca), leguminosas (como feijão, grão de bico, lentilha), carnes e ovos, além de leite e derivados.  “É também importante que use gorduras de boa qualidade, como o azeite, e evite longos períodos sem se alimentar. Também é importante que a sua rede de apoio a ajude a ter alguns momentos com um pouco mais de tranquilidade para conseguir fazer as refeições principais. Caso contrário, a alimentação dela torna-se mais um problema e uma dificuldade, em vez de ajudá-la”, ressalta.

Muitas mulheres relatam que têm mais fome por conta da amamentação e isso é absolutamente normal. “Uma mulher que amamenta precisa de cerca de 500 kcal a mais, quando comparada a uma mulher que não amamenta. Isso é mais do que três pães franceses! Esse é o motivo da mulher ter mais facilidade para emagrecer”, diz.

A nutricionista comenta ainda que não há nenhuma evidência de que algum alimento ajuda a mãe a produzir mais leite, embora seja recomendado o consumo de pelo menos dois a três litros de água por dia.. “O que temos é que uma mãe relaxada e confiante consegue amamentar com mais facilidade. Assim, quando ela acredita que, comer algo ajudará na produção do leite, ela até pode ter o aumento da produção, mas pelo efeito psicológico. Produzir leite na quantidade adequada depende de livre demanda, incluindo na madrugada, não usar bicos artificiais e ter rede de apoio”.

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