Como funciona a consultoria do sono e quando ela é indicada

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Consultora de sono ajuda criar rotina para dormir (Foto: Mães de Peito)

Consultora de sono ajuda criar rotina para dormir (Foto: Mães de Peito)

Pergunte a uma mãe o que ela acha mais difícil ao cuidar de filhos pequenos. A grande maioria – isso se não for todas elas – vai dizer que é dormir pouco ou quase nada. As mães que amamentam em livre demanda sabem como é acordar muitas vezes de hora em hora para dar de mamar e fazer o bebê pegar novamente no sono.

A grande maioria das mães sabe que essa fase difícil é passageira e continuam acordando várias vezes durante a madrugada até que o bebê passe a estender as horas de sono. No entanto, algumas mães têm recorrido às consultoras de sono para poder criar uma rotina na vida dos seus filhos e conseguir dormir um pouco mais. A profissão é pouco conhecida no país e criticada por quem pratica a criação com apego justamente por alguns profissionais utilizarem as chamadas técnicas de ‘choro controlado’.

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A consultora do sono, Sônia Masson Sertório, diz que muitas pessoas têm preconceitos com a consultoria por acreditar que para funcionar é preciso deixar o bebê chorando sozinho no berço. “Existem técnicas que usam o choro controlado, mas não acredito nesta opção.  Prefiro o acolhimento, a amamentação e não sou favorável a deixar a criança chorando como método de aprendizado”, comenta.

Ela, que também é consultora em amamentação, explica que quem normalmente a procura são mães com bebês entre seis meses a um ano e meio de vida. “Normalmente elas estão cansadas com os diversos despertares noturnos e as sonecas curtas (com duração de 30-40 min). Muitas querem desmamar seus bebês e aí as ajudo a criar uma rotina e seguir amamentando”, diz.

Sônia comenta que não considera que há uma idade para o bebê dormir uma noite inteira e que não há problema algum no bebê despertar uma ou duas vezes para mamar e voltar a dormir mesmo após ter sido iniciada a introdução alimentar – a partir do sexto mês de vida. “A dificuldade maior está entre as famílias que o bebê tem despertares frequentes durante toda a noite (acordam a cada 1h ou 2h), que precisam de ajuda para voltar a dormir ou que ficam acordados por longo tempo na madrugada. Isso sim é prejudicial, tanto para o bebê quanto para a família”, comenta.

Ao ter o sono constantemente interrompido as famílias passam a ter dias exaustos e apresentam dificuldades no relacionamento familiar, no trabalho e na interação com o bebê.

ROTINA

A especialista explica que quanto mais cedo a família criar uma rotina na hora de dormir, melhor. “Durante os primeiros meses de vida do bebê há uma grande adaptação da família, mas aconselho os casais a me procurar ainda na gravidez ou logo que o bebê nasce para criar um ritual para a hora de dormir e que seja realizado todas as noites da mesma forma”, aconselha.

Ela diz que proporcionar uma sequência de acontecimentos como banho, massagem, mamada, canção e adormecer ajuda a trazer segurança para a criança pois ela aprende e já espera o que vai acontecer depois.

Criar uma rotina não impede, por exemplo, que o bebê adormeça mamando no peito. “Existem bebês que finalizarão o dia mamando e adormecerão no peito e dormirão muito bem a noite. Mas existem bebês que não conseguem voltar a dormir nos despertares se não tiver a sucção e isso é o que precisa ser modificado. Eles continuarão sendo amamentados, a diferença é que não ficarão no peito até adormecer, o ritual será modificado”, comenta.

A consultora explica que sempre leva em consideração os hábitos e costumes de cada família e propõe mudanças de acordo com a necessidade individual de cada bebê.

CAMA COMPARTILHADA

Ela explica que a cama compartilhada também pode ser uma grande aliada para quem quer dormir melhor com a cria por perto. No entanto, é preciso que haja consenso entre o casal e que dividir a cama realmente traga melhoras no sono da família. “Essa é uma decisão muito particular de cada família e não interfiro. Há quem goste e quem prefere manter o bebê no berço”, diz. Quem decide onde o bebê vai dormir são os pais e a consultoria pode ajudá-los nas transições, ou seja, transferir para o berço ou para outro quarto um bebê que sempre dormiu na cama ou no quarto dos pais.  “Trabalho isso da forma que haja menos conflito e desgaste tanto para os pais quanto para a criança, de maneira segura e gradual”.

A consultora, que é enfermeira obstetra, explica que são muitos fatores que podem contribuir para os despertares e a dificuldade do bebê em retornar ao sono. “A consultoria é para ajudar a mãe a descartar todos os fatores propiciando um ambiente adequado, com horários propícios de acordo com a idade. Com suporte técnico e emocional vamos identificar o que melhor funciona para aquela família”, explica.

Trabalhando há dois anos como consultora do sono e atendendo, em média, quatro novas famílias por semana, ela diz que assim como precisa aprender a comer e andar,  a criança também necessita aprender a adormecer e cabe aos pais ensiná-la. Ela comenta que muitos pais, para fazer o filho dormir logo, adotam medidas que inicialmente funcionam, mas que com o passar do tempo se tornam grandes vilãs, como oferecer mamadeira para o bebê dormir ou  balançar o carrinho.

“Assim a criança faz uma associação com o adormecer e toda vez que o bebê desperta ele precisará desta mesma condição para voltar a dormir”, ressalta. Ela diz que também há fatores que dificultam uma boa qualidade de sono noturno, entre eles, sons, temperatura, iluminação, horário de dormir, quantidades de sonecas, entre outros.

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8 Comentários

  1. BOM DIA,
    pesquisei alguns site de consultoria do sono e verifiquei que o preço médio para bebes maiores de 5 meses é de 850 reais. Mas se eu arriscar pagar essa quantia que não é pouca e não funcionar? perco o dinheiro?

  2. Fátima Marques Marinho Soares em

    Sou Fátima Marques. Fisioterapeuta. Acupunturista e osteopata. Trabalho com manobras crânio viscerais e laser em auriculopuntura em bebês. Estabelecendo o equilíbrio e aliviando os stress.

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