Como o vínculo entre pais e filhos impacta no desenvolvimento infantil

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Ter filhos é um ensinamento diário. Não basta apenas alimentar, aquecer, acolher e cuidar da cria. Desde a vida uterina é preciso se conectar com aquele bebê que logo chegará em um mundo onde tudo é novo, ou seja, há uma vida inteira de descobertas. E como nós, pais, podemos ajudá-los?

Algumas receitas simples e que vão auxiliar  na conexão e no desenvolvimento dos nossos filhos foram passadas durante o V Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, promovido pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal,  que aconteceu nesta semana em São Paulo. A convite da Kimberly-Clark,  que busca agregar conhecimento a respeito do desenvolvimento durante os primeiros anos da criança, o blog Mães de Peito cobriu o evento mostrando um olhar diferenciado sobre o que foi exposto pelos palestrantes.  O professor da Universidade de Harvard, Ronald Ferguson, deu cinco dicas práticas para serem colocadas na nossa rotina.

1 – Aumente o amor e administre o estresse dentro de casa
Muito amor, colo, abraços e carinho. Infelizmente não dá para eliminar de uma vez o estresse, mas minimizá-lo e fazer reforços positivos de todas as formas ajudam

2 – Fale, cante e aponte para o seu bebê
Viu uma maçã no mercado? Mostre para ele, diga que é uma maçã, que ela e vermelha, gostosa. Quanto mais o seu bebê associar um objeto ao que você fala e canta para ele, mais habilidades e desenvolvimento ele terá

Charge feita durante o simpósio (Foto: Mães de Peito)

3  – Conte, agrupe e compare

Desde bebê faça brincadeiras lúdicas ensinando a criança os números, o que é grande e pequeno, alto e baixo, largo e estreito, enfim, ensine brincando

4 – Explore

Ajude seu filho a explorar o mundo, o seu corpo com movimentos e brincadeiras divertidas e, de preferência, ao ar livre

5 – Leia e discuta

Leia com os seus filhos desde muito cedo. Não apenas leia a historinha, mas fale com ele depois sobre o livro, faça ele te mostrar onde está o patinho, por exemplo, e o estimule a contar o que ele viu e entendeu

Não tenha vergonha de falar com seu bebê na barriga e quando ele ainda tem poucos dias ou meses de vida. Eles entendem, reconhecem a voz dos pais e se sentem acolhidos desta forma. Vai dar banho? Converse com ele enquanto tira sua roupinha e sua fralda dizendo que chegou a hora de brincar na água, de ficar cheiroso.

Ronald diz que essas pequenas ações no dia-a-dia podem gerar grandes impactos no desenvolvimento infantil das crianças. “80% do desenvolvimento cerebral acontece nos três primeiros anos de vida. As experiências na primeira infância são cruciais e são a base para todos os ensinamentos futuros”, afirma.

Ele ressalta que uma criança que é estimulada desde cedo, quando completa dois anos, está seis meses adiantada – em vários aspectos, como na fala, desenvolvimento motor, entre outros – do que aquelas crianças que não tiveram a mesma participação dos pais.

Charge feita durante o simpósio (Foto: Mães de Peito)

Charge feita durante o simpósio (Foto: Mães de Peito)

A importância da figura materna e paterna no desenvolvimento infantil foi amplamente discutida durante os dois dias de simpósio. Independente de os pais trabalharem  fora ou não, é preciso ter essa conexão durante o período que estiverem com os filhos. “O sucesso do desenvolvimento infantil dos filhos depende dos pais. Eles precisam estar mais tempo com as crianças, engajadas com elas”, disse uma das palestrantes, a americana Lori Roggman, professora de desenvolvimento humano na Universidade de Utah, nos EUA.

EDUCAÇÃO PUNITIVA NÃO FUNCIONA

A psicóloga Rosely Sayão também ressaltou durante o evento  a importância dos pais seguirem seus instintos e tradições na hora de criar e educar seus filhos. “É preciso um olhar atento para os nossos filhos. O que ele quer dizer quando ele chora?”, questiona.

Ela diz que a atual geração de pais faz os filhos pularem etapas da infância obrigando os filhos a ter tarefas e responsabilidades de adultos. Para a psicóloga, os pais precisam dar mais atenção aos filhos e eliminar punições como palmadas, cantinho do pensamento e o uso de tablets apenas com o objetivo de deixar as crianças quietas.  “Essas tecnologias móveis fazem as crianças ficarem caladas, é um cala boca. Elas ficam hipnotizadas. Essa é uma facilidade para os adultos”, diz.

Para a psicóloga, a atual geração está mais centrada nos desejos do adulto do que nos das nossas crianças. “É nesse momento que elas perdem a sua infância”, observa.

Simpósio foi realizado em SP e reuniu grandes especialistas (Foto: Mães de Peito)

Simpósio foi realizado em SP e reuniu grandes especialistas (Foto: Mães de Peito)

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