Para agregar a todos, escolas trocam Dia dos Pais e das Mães pelo Dia da Família

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Dia das Mães nas escolas foram substituídos por Dia da Família (Foto: Diego Padgurschi)

Dia das Mães nas escolas foram substituídos por Dia da Família (Foto: Diego Padgurschi)

As escolas cada vez mais tem abolido do calendários as comemorações como o Dia das Mães e Dia dos Pais e feito uma única festa com os estudantes, o chamado Dia da Família.

O psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, especialista em família, diz que as escolas muitas vezes não percebem como estão sendo moralistas e segregadoras ao fazer celebrações como Dia das Mães ou dos Pais. “Famílias são como peças de Lego que você pode montar com todo tipo de cor, de peça, e que o mais importante é que todos sintam que são parte deste castelo montado, onde todos sintam que são protegidos, amados e sendo úteis uns para os outros”, comenta.

Ao fazer essas comemorações, opina Amaral, as escolas estão reproduzindo uma moral muito rígida na composição familiar ao dizer que é ‘normal’ é ter um pai e uma mãe. “Estão normatizando e moralizando a discussão”, avalia. “Desta forma excluem muitas famílias que têm outros arranjos, mas que dão certo. São famílias que têm crianças sendo bem criadas sendo autoras da própria vida.”

O especialista ressalta que as pesquisas na área da família mostram que o importante não é quem vai exercer a função materna e paterna na vida de uma criança, mas que ela seja exercida por alguém. “Pode ser o pai, a mãe, uma avó, um padrinho, irmão mais velho, ou seja, qualquer pessoa”, ressalta Amaral.

Ele observa que não importa se a família é composta por um casal heterossexual, gay, lésbicas, mãe solo, pai solo, adotante ou biológico. “O importante é se a família consegue dar sustentação emocional para essa criança. Se consegue atender as angústias do desenvolvimento deste bebê e desta criança, se consegue apresentar uma cultura, socializar, ofertar pertencimento a um grupo familiar e proteger essa criança das violências da vida o máximo que for possível. E isso pode ser feito por qualquer adulto”.

Com as novas formações de família, o Dia da Família tem sido instituído, inclusive, em escolas religiosas, como o Colégio Agostinho São José, no Belém (zona leste de SP), e no Colégio Marista Glória , no Cambuci (região central de SP). O primeiro colégio fará neste ano a terceira edição do Dia da Família enquanto o segundo fará pela primeira vez. “A ideia é enaltecer todos os envolvidos no crescimento, tanto intelectual como emocional da criança. Os modelos familiares mudaram e o colégio percebeu a necessidade de adaptar tais datas para atender crianças em suas variadas situações pessoais”, diz nota enviada pelo Colégio Agostinho São José.

Para agradar a todos e não deixar frustradas, por exemplo, as mães que gostavam de ver a apresentação dos filhos e receber cartões cheios de corações, a escola buscou atrações diversas. Neste ano, o tema central será a Copa propondo atividades recreativas para toda a família.

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