Entenda mais sobre o parto domiciliar e saiba quem pode ter um

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Casal na banheira durante parto domiciliar (Foto: Carolina Zia Fotografia)

Gestante na banheira durante parto domiciliar (Foto: Carolina Zia Fotografia)

O parto domiciliar planejado ainda é cercado de preconceitos e, por isso, muitas gestantes não revelam a vontade de ter o bebê em casa nem para os familiares mais próximos deixando para contar somente após o nascimento do filho.

É importante saber que o parto domiciliar não é para todas as gestantes, mas para aquelas que tiveram uma gestação de risco habitual e que estejam seguras em ter o bebê dentro da própria  casa. Para ter o bebê em casa é preciso estar certa de que essa é sua vontade e não por ‘modismo’ ou ‘por achar legal’.

“Parir em casa é para quem sente que sua casa é o melhor local para o nascimento do seu filho. Precisa entender que não é um produto que se compra em uma loja”, explica a enfermeira obstétrica Karina Fernandes Trevisan, da clínica Commadre.

Ela diz que ao escolher parir em casa a mulher precisa estar bem informada sobre os riscos e que talvez seja necessária uma transferência para um hospital seja por alguma complicação ou, por exemplo, porque a parturiente quis uma analgesia e isso não ocorre no parto domiciliar.

Os riscos do parto domiciliar são os mesmos do que de um parto normal hospitalar. “A diferença é que, se for necessário a transferência para o hospital, a equipe tem que estar preparada e saber identificar quando e como fazer”, afirma.

Karina comenta que os riscos são  baixos, mas reais. “É necessário que a equipe que vá atender o parto seja uma equipe com experiência e que tenha as capacitações necessárias para saber identificar e atender as urgências”, comenta.  Na Commadre, a taxa de transferência é em torno de 16%. Esse dado é em relação a 174 partos domiciliares planejados que ocorreram nos últimos três anos.

Os profissionais que atendem parto domiciliar ficam atentos fazendo a ausculta do coração do bebê, principalmente, durante o expulsivo (nascimento) e também em relação ao sangramento da mulher no pós-parto. “A ausculta do bebê é importante para perceber algum problema, como falta de oxigenação. Em muito hospitais, os batimentos do coração do bebê não são controlados de forma rotineira e muitas vezes não se escuta durante o expulsivo. Essa atenção mais especial é dada no parto domiciliar”, diz.

A obstetriz explica ainda que as equipes têm treinamento e material de atendimento de urgência/emergência.

Karina explica quem vai ter o bebê em casa precisa de um plano B para o caso de uma transferência, ou seja, ter um hospital próximo. Se ela estiver sendo atendida só por enfermeira obstetra ou obstetriz precisa ter um médico no caso de precisar, por exemplo, de uma cesárea.

“Eu gosto muito de trabalhar com plano B e C. O plano B é uma transferência tranquila onde o tempo de chegada no hospital não é um fator importante. O plano C é aquele hospital mais próximo da casa da gestante e que temos que chegar o mais rápido possível”, comenta.

Ela diz que esse planejamento é importante porque a gestante acaba pensando e entendendo que a transferência é possível e pode ser real. “O impacto da transferência quando ela acontece pode ser menor. Isso faz toda a diferença quando falamos sobre parto domiciliar planejado”.

Profissional monitora os batimentos cardíacos do bebê (Foto: Carolina Zia Fotografia)

Profissional monitora os batimentos cardíacos do bebê (Foto: Carolina Zia Fotografia)

POR QUE TER UM PARTO DOMICILIAR?

A enfermeira obstetra diz que a principal vantagem do parto domiciliar é que a gestante está no ambiente dela, ou seja, em sua casa. “Não precisa sair com contrações e ir para um hospital, a equipe vai até ela. Também não precisa passar por procedimentos como ser examinada no pronto-socorro, assinar termos e tudo que é necessário para a internação em qualquer hospital”, comenta.

Ela ressalta ainda que a equipe que está atendendo está focada apenas nela e no seu bebê. “Não tem pressa para nascer e ela escolhe quem são as pessoas que ela deseja estar ao seu lado neste momento. Se tiver filho mais velho, ele pode estar com ela assim como o marido, avós, enfim”, diz.

Karina comenta ainda que a gestante pode escolher onde e como o bebê vai  nascer já que na maioria dos hospitais que têm banheira, por exemplo, o nascimento não pode acontecer na água. “No parto domiciliar o bebê não passa por nenhuma intervenção desnecessária, como pingar nitrato de prata, aspiração. Não tem pressa para tirar o bebê do contato pele a pele da mãe e também não tem ida ao berçário. Fica o tempo todo com a mãe”, ressalta.

LEIA MAIS: Saiba os exames no bebê que são dispensáveis na hora do parto

TIRE SUAS DÚVIDAS

Quem pode ter um parto domiciliar?
Gestantes que tiveram um pré-natal sem problemas e com bebê a termo (acima de 37 semanas de gestação) e que o trabalho de parto tenha sido espontâneo

Quem atende o parto domiciliar?
A maioria dos partos domiciliares é atendido por obstetrizes ou enfermeiras obstetras. São poucos médicos que atualmente atendem parto domiciliar. A maioria acaba sendo back up da equipe em caso de uma intercorrência

É possível receber anestesia no parto domiciliar?
Não. Nenhum procedimento é feito. Se precisa induzir o parto, anestesia a mulher é levada para a maternidade

Quando é necessária a transferência para o hospital?
Quando é pedida pela própria gestante quando ela quer, por exemplo, uma analgesia ou quando a equipe nota alguma intercorrência, como problemas no batimento cardíaco do feto ou algum problema com a mãe

Que materiais precisa ter em casa para o parto domiciliar?
Lençóis descartáveis, balde para lixo, sacos para lixo, aquecedor (caso esteja frio), piscina inflável caso a mulher queira ter parto na água e não tenha banheira em casa, toalhas e lençóis que não se importam de sujar. É importante também ter alimentos em casa porque é necessário se alimentar durante o trabalho de parto.

O que a equipe leva?
Materiais como luvas, materiais para sutura, anestésico local e todo material para reanimação neonatal e para atender a mãe caso haja alguma complicação pós-parto

Precisa ter ambulância na porta de casa?
Não. A remoção, quando necessária,  é feita em carro comum antes do parto e, após o nascimento, é solicitada uma ambulância para o Samu ou Corpo de Bombeiros.

Bebê logo após nascimento na água (Foto: Carolina Zia Fotografia)

Bebê logo após nascimento na água (Foto: Carolina Zia Fotografia)

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9 Comentários

  1. silvana carvalho martins rezende em

    Nossa meu sonho parto domiciliar,mas creio não poder,fazer pois ja estou entrando na 39semana e não contatei o hospital , tbm não pre-natal com as enfermeiras obstetrícia.. Embora esteja tudo ótimo. Indicando que terei um parto normal..
    Se pudesse faria tranquilamente.. 🙏 .

  2. Estou com 37 semanas de gestação e optei desde o início pelo parto normal. Depois, percebi que apenas ser normal não bastaria: queria um parto humanizado… e acabei, com apoio total do meu marido, por parto domiciliar.
    Isso ocorreu por volta das 17, 20 semanas. Eis que com tudo já engatilhado, equipe de parto de minha confiança, pessoas queridas que estariam comigo e tudo mais, mudei-me de cidade! E então iniciamos uma saga: Em busca do nosso parto ideal!
    Nunca imaginei enfrentar tanto preconceito e dificuldade para poder parir! Minha gestação mesmo classificada como de baixíssimo risco, não ficou sem um comentário cruel do novo obstetra ao ouvir meu desejo de parto “Vc com uma gravidez dessas vai querer se arriscar e arriscar a vida da sua filha?!” Nossa! Como foi humilhante aquele momento!
    Decidi que buscaria profissionais com os mesmos ideais que eu e que entendessem o parto e nascimento muito além do que um procedimento hospitalar! Posso confessar que já estava quase entregando os pontos depiis de tantas tentativas frustadas!
    Mas… como não desisto de nada que decido fazer, pedi orientação aos seres de luz e eis que encontrei quem eu procurava!
    Agora com uma aquipe que compartilha das minhas mesmas convicções, estou segura de que valeu a pena não sucumbir a esse coorporativismo que quer tomar o parto da mulher e de seu filho!
    Mayte virá ao mundo como merece: quando se sentir pronta! E no lugar onde sua história começou – o nosso lar!
    O parto está previsto para dia 08/01 mas com tanto amor aqui esperando acho que ela se apressará um pouco!

  3. ESTOU PLANEJANDO MINHA PROXIMA GESTACAO E QUERO MUITO TER O MEU BABY EM UM PARTO HUMANIZADO GOSTARIA DE SABER SE CORRO ALGUM RISCO DE NAO PODER TER ASSIM PQ JA TENHO UM FILHO DE 4 ANOS TIVE ELE DE PARTO NORMAL MAIS TEVE A INTERVENCAO DA INDUCAO PQ DISSERAM QUE COMO ERA MEU PRIMEIRO BEBE O COLO DO MEU UTERO ERA MUITO RIGIDO MAIS QUE SE CHEGASSE ATE OUTRO BEBE SERIA COM CERTEZA MAIS TRANQUILO E EU E MEU MARIDO ESTAMOS DESEJANDO O PARTO DOMICILIAR

  4. Laís como foi seu parto? gostaria muito de saber , parabéns admirável sua persistência estou com 14 semanas e quero muito um parto em casa também.

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