“Esperar para quê?”: propaganda sobre prematuridade gera polêmica

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Na última semana, uma propaganda da Unimed do Brasil divulgada nas redes sociais da Revista Pais & Filhos gerou uma grande polêmica. Nas imagens aparecem mensagens informativas e fotos de prematuros acompanhadas da frase “Esperar pra quê?”. Muitos leitores questionaram a propaganda e consideraram uma desinformação já que dá a interpretação de que não há motivos para esperar o bebê avisar quando está pronto para nascer.

“Realmente não precisa esperar, é isso? Vamos lotar as UTIs com bebês retirados antes da hora?”, questionou uma das leitoras da revista. “Nunca vi tanta desinformação”, afirmou outra internauta.

O Brasil é o país recordista em cesáreas e, consequentemente, tem altas taxas de prematuridade justamente por conta de bebês serem retirados antes da hora do útero materno. Dados da pesquisa Nascer no Brasil mostram que a taxa de prematuridade brasileira (11,5%) é quase duas vezes superior à observada nos países europeus, sendo 74% destes prematuros tardios (34 a 36 semanas gestacionais). Muitos casos podem decorrer de uma prematuridade iatrogênica, ou seja, retirados sem indicação, em mulheres com cesarianas agendadas ou com avaliação incorreta da idade gestacional.

Procurada pela reportagem, a Unimed do Brasil disse que a  campanha “Esperar pra quê?” foi desenvolvida junto à Revista Pais & Filhos com o objetivo de abordar temas ligados à maternidade.  “Essa ação existe há três anos e tem orientado diversos pais sobre como cuidar melhor de seus filhos, desde o pré-natal até a pré-adolescência, por meio de matérias, entrevistas, vídeos educativos e conteúdo para redes sociais”, diz nota enviada pela assessoria de imprensa do plano de saúde. Procurada, a revista não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Em relação à mensagem específica sobre bebês prematuros, a Unimed diz que houve um “mal entendido quando associado o texto do post ao selo da campanha” e, como preza pela transparência, optou em manter o post no ar e esclarecer que não se trata de um incentivo à cesariana, “mas uma ação de um projeto bem maior que tem ajudado muitos pais”.

A Unimed disse ainda que segue as regras estabelecidas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas desnecessárias.

 

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