Fechamento do corpo no pós-parto: um cuidado para ser oferecido para quem acabou de parir

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Mulher passa por fechamento do corpo que inclui massagens e amarrações

No pós-parto a nova mãe precisa ser cuidada. Para que possa cuidar do bebê e lidar com todos os desafios da maternidade, a puérpera precisa não só de apoio, mas de uma atenção especial também. As doulas pós-parto tem oferecido um atendimento diferenciado onde é feito o fechamento do corpo da mulher com amarrações, banho de ervas, massagem e muito cuidado e atenção.

A doula e educadora perinatal, Maíra Duarte, explica que o corpo físico se abre todo no momento do parto para dar espaço para o bebê passar. “Ossos fazem movimentos que em nenhum outro momento da vida farão. Órgãos mudam de lugar durante a gestação e vão voltando aos poucos no puerpério. O corpo simbiótico da mulher fica latente, por conta da íntima relação com o bebê. A prolactina, hormônio que está ligado ao processo de amamentação, amolece os tecidos e o corpo fica mais gelatinoso. Nesse momento nos sentimos com pouco contorno, meio sem borda. É um pacto fusional entre mãe e bebê”, explica a doula do Coletivo Cuida, que oferece com Mayara Boaretto cursos voltados para quem quer trabalhar no puerpério.

Ela diz que o fechamento de corpo é um procedimento que promove esse contorno/borda. “A sensação depois de receber esse cuidado é de integridade. Costumo dizer que ele promove ‘um ajunte'”, comenta. Maíra comenta que indica o fechamento não só após o parto, mas caso a mulher teve um aborto ou em momentos marcantes da vida, como fim de uma trajetória de trabalho, morte de algum ente querido, após uma separação, etc. “É indicado para momentos em que sentimos necessidade de mais contorno, de nos percebermos mais dentro do nosso próprio corpo”, diz.

A técnica envolve massagem, esfrega de sal grosso, chá, banho de ervas e amarração em sete pontos do corpo. Maíra explica que o fechamento é originário da  tradição mexicana de cuidados no puerpério. “E tudo bem se já passou bastante tempo do parto. O mais comum é ser perto da quarentena mas não tem tempo limite. É muito bom e resgata as memórias espalhadas”, relata Maíra.

Mãe de Tom, de 6 meses, a doula Marianna Muradas fez o fechamento do corpo. Ela conta que quando começou a sair um pouco de casa com o bebê tinha a sensação estranha. “Era como seu eu estava dentro de uma enorme bolha e as pessoas ao redor estavam invadindo esse meu campo energético. Foi bem desconfortável, me sentia exausta e louca para voltar para casa para ficar enfurnada no meu ninho”, descreve.

Ela diz que considera que todas as mulheres deveriam ter a oportunidade de vivenciar essa experiência. “Foram dois banhos de ervas, massagens, amarrações em sete pontos do corpo bemmmmm apertados. A intenção é usar a força do calor para eliminar a energia que não nos serve mais e integrar a restante. Foi muito especial passar essas horas sendo cuidada e durante os minutos nas amarrações, senti meu campo energético diminuir para um tamanho confortável e me sentir muito mais confortável comigo nessa nova versão minha”, diz Marianna, que encerrou com um banho de chuveiro com o filho.

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