Gestantes fazem rifa e vaquinha para bancar parto humanizado

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Mãe tem parto normal gemelar com bebês prematuros e pélvicos (Foto: Renata Penna - Fotopoesia)

Mãe tem parto normal gemelar com bebês prematuros e pélvicos (Foto: Renata Penna – Fotopoesia)

Para conseguir ter um parto humanizado no Brasil é preciso pagar ou então procurar casas de parto ou o hospital Sofia Feldman, em Minas Gerais, onde é possível ter um parto respeitoso pelo SUS (Sistema Único de Saúde). No entanto, como são poucas as opções gratuitas disponíveis, gestantes têm optado por rifas e vaquinhas virtuais para conseguir bancar as equipes que vão acompanhar os seus partos.

Foi o que fez a fotógrafa Paula Hilst, que em agosto teve gêmeos em um parto normal hospitalar. Ela conta que o primeiro filho nasceu em um parto domiciliar, em 2012, e que não cogitou o parto em casa pois os bebês nasceram prematuros – com 36 semanas – e pois ambos estavam pélvicos (sentados). “Até o último exame um deles estava cefálico (de cabeça para baixo) e o outro pélvico. Na hora do parto foi a surpresa”, conta Paula. Segundo ela, não é qualquer equipe que atende parto gemelar ainda mais quando os dois bebês estão pélvicos. Apesar da prematuridade, os bebês nasceram bem e não precisaram de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e foram para casa 24 horas após o parto.

Para contratar uma das melhores equipes de parto humanizado, Paula fez a rifa de um ensaio fotográfico e arrecadou quase R$ 5.000. “Foi ótimo, bem significativo, mas ainda ficou bem longe do valor total já que parto gemelar é muito caro, mas essa e outras ajudas que recebi foram fundamentais”, comenta.

Paula conta que para os familiares e amigos mais próximos pediu dinheiro em vez de presentes, como roupinhas, fraldas e outros itens do enxoval.

A empreendedora e doula Bruna Cortes está grávida do terceiro filho e, assim como Paula, planeja um parto domiciliar. Mãe de duas crianças de 9 e 3 anos, ela conta que passou por duas cesáreas desnecessárias e que planeja ter um parto respeitoso desta vez.

Para contratar toda a equipe, com duas obstetrizes e uma doula, Bruna diz que gastará cerca de R$ 4.500. Sem ter plano de saúde, ela não pretende ter seu bebê em um hospital público pois sabe que há mais risco de ir para uma outra cesárea. “Com duas cesáreas anteriores, vou ter que novamente ser submetida a uma outra cirurgia pelo SUS”, lamenta Bruna, moradora de Santo André, na região do ABC.

Bruna conta que está correndo contra o tempo pois a previsão é que Luna nasça ainda neste ano. “Vários amigos doaram itens para serem rifados, entre eles, bicicleta, slings, fraldas de pano, curso de automaquiagem,  entre outros”, diz. Ela conta que a gravidez não foi planejada e que ocorreu mesmo usando contraceptivo. “Eu e meu marido somos empreendedores e estamos passando por uma situação difícil neste momento”, lamenta. Clique aqui para ver as rifas.

Bruna conta que teve a ideia de fazer a rifa após ver que a amiga Aline Martins dos Santos, 30,  conseguiu fazer uma vaquinha virtual para conseguir arcar com parte dos gastos do seu parto, que foi domiciliar. Moradora de Porto Alegre, ela conta que gastou cerca de R$ 3.600. “Consegui arrecadar R$ 670 dos R$ 1.000 que precisava”, diz Aline, mãe de Arthur, 4, Isis, 2, e Otto, de um mês. Ela conta que o primeiro filho nasceu de cesárea e o segundo de um parto domiciliar não planejado. “Já o terceiro planejei e foi incrível”, conta.

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