Mães fazem dieta rígida para amamentar filhos alérgicos

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Mãe amamenta filha com alergia alimentar (Foto: arquivo pessoal)

Mãe amamenta filha com alergia alimentar (Foto: arquivo pessoal)

Refluxo, cólicas, irritabilidade, choro, baixo ganho de peso e algumas vezes presença de muco ou sangue nas fezes. Esses são alguns dos sintomas que pode apresentar o bebê que tem APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca). Os médicos explicam que a alergia se manifesta após a criança ter contato precoce com a proteína do leite de vaca por meio de fórmulas infantis ou da passagem da proteína através do leite materno.
Isso significa que o bebê precisa parar de ser amamentado? Não. O melhor alimento mesmo para os bebês com APLV continua sendo o leite materno. Para continuar amamentando, no entanto, as mães fazem uma dieta bem rígida riscando do cardápio, por exemplo, a proteína do leite e de soja. “Em alguns casos, é necessário restringir ainda mais a dieta da mãe cortando seis alimentos mais alergênicos, como a proteína do leite, da soja, oleaginosas, trigo, ovo, peixe e frutos do mar”, explica a pediatra Honorina de Almeida, a doutora Nina da Casa Curumim.
A médica explica que o leite materno tem a composição mais adequada de nutrientes do que as fórmulas especiais. “O leite materno possui substâncias que estimulam a imunidade, fortalecendo o bebê. Também possui substâncias anti-inflamatórias e anti-infecciosas, substâncias protetoras da mucosa intestinal, probióticos naturais e, principalmente, o que chamamos de fatores de crescimento do trato gastrointestinal que ajuda na recuperação do intestino do bebê com APLV”, explica a médica.
Ela comenta que além da dificuldade de fazer a dieta, o que inclui deixar de comer fora de casa, o mais difícil para as mães é encontrar produtos limpos dos alergênicos, principalmente, pois nem todas as embalagens têm as informações necessárias no rótulo. Na internet, um grupo de pais criou a campanha #poenorotulo justamente para ter informações claras e com letras legíveis nas embalagens de produtos de higiene e de alimentação.
Por conta da pressão desses pais, em junho do ano passado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou por unanimidade uma norma dando o prazo de 12 meses para as empresas do setor alimentício se adaptarem e colocarem todas as informações nas embalagens. Saiba mais clicando aqui.
A analista jurídica Lorena Rigobello Ripoll, 32,  sabe bem a dificuldade de encontrar informações nos rótulos das embalagens. Ela conta que descobriu a APLV quando viu sangue nas fezes da filha Valentina. “Não tive muitas dúvidas sobre o diagnóstico porque tinha uma amiga que o filho tinha o mesmo sintoma”, comenta.
Assim que desconfiou da APLV, Lorena entrou em vários grupos na internet de mães com filhos com o mesmo problema para trocar informações, receitas e produtos que são livres dos traços e da proteína do leite. “Com essas mães, descobri que a amamentação era fundamental porque protege as paredes do intestino e incrementa o sistema imunológico”, comenta.
DIETA RESTRITA
Ela conta que assim que descobriu, o pediatra pediu para ela cortar leite e derivados e procurar um gastro. “Comecei a dieta hipoalergênica cortando leites, derivados, ovos, peixes, frutos do mar. Uma médica chegou a recomendar o desmame, mas eu confrontei e nunca mais voltei nela”, comenta.
Lorena conta que a filha continuou a sangrar e a outra médica recomendou também cortar leguminosas e carne vermelha. “Com seis meses, quando comecei a introdução alimentar, testamos cada fruta, legume e verdura por cinco dias. Ela reagiu à banana, abacate e berinjela”, diz a mãe.
A médica Nina explica que na introdução alimentar, feita após o sexto mês de vida,  é oferecido um alimento por vez para que sejam testados e os pais saibam quais o filho pode ou não comer.
Lorena conta que o mais difícil para ela é nunca ter certeza absoluta da reação da filha pois ela reage tardiamente. No início, foi preciso fazer controle de traços e a família deixou de comer fora de casa. Como a menina, que já tem dois anos, segue mamando no peito, elas ainda não consomem leite, derivados, soja, glúten, banana, abacate e berinjela. “Mas já conseguimos comer fora sem nos preocupar com os traços”, comemora.
A filha dela só foi para a escola somente neste ano, com dois anos, justamente para que a alimentação fosse mais controlada e a alergia também. A pediatra comenta que os pais com filhos alérgicos precisam ter as escolas como parceiros, ou seja, a direção, os professores precisam entender a seriedade das alergias. O alérgico alimentar corre risco de morte dependendo do seu grau de sensibilidade, com risco de choque anafilático e fechamento de glote, entre outras reações graves.
 “Os pais devem construir parcerias com as escolas e com os pais de outras crianças que não tem APLV, para que eles possam ajudar nessa difícil tarefa”, diz.
A médica explica que nos bebês que são amamentados, a recuperação da APLV e de outras alergias é mais fácil. “No geral aos 4 anos a grande maioria já não apresenta mais a alergia. O tratamento é restringir o contato com a proteína enquanto o sistema imunológico do bebê amadurece”, explica Nina, mas ela afirma que algumas crianças têm uma predisposição genética e  podem apresentar a alergia por mais tempo.
Para as mães que descobriram recentemente algum tipo de alergia no filho, não só a  APLV, Lorena diz que esse é um quebra-cabeças diário que só o paciente (ou seus pais) podem montar.  Ela aconselha os pais a encontrar médicos que acreditem nos sintomas que você descreve  e procurar grupos de pais que passam pelo mesmo problema.
“Muitos profissionais de saúde estão desatualizados e é muito mais fácil se você se cercar de gente passando pelo mesmo que você. No mais, se a mãe for fazer dieta de exclusão eu diria para prestar atenção nos industrializados porque os nossos rótulos não são confiáveis. E não se desespere! Com algumas receitas e boa vontade qualquer alimentação restrita vai ficando mais fácil”, aconselha a mãe de Valentina.

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14 Comentários

  1. Eu tenho um bebê de quase 5 meses, e ele até então tinha dores muito intensas eu achava q era cólica, mas conversei com o pediatra dele, ele logo me falou q poderia ser alergia da proteína do leite… Então parei de comer qualquer tipo de alimento derivados do leite, até aquelas bolachas de leite e Maizena … Além de frutas oq mas posso comer ?

  2. Olá! Sou mamãe do Joaquim, que tem 10 dias de vida. Ele sofre de cólicas por mais de 12h. Nas últimas noites, tem ficado das 5h da manhã até às 18h chorando, convulsivamente. O que me desespera! Li muito sobre isso e encontrei nas pesquisas que vi, a possibilidade da alergia ao leite de vaca. Ele está com dificuldade para ganhar peso tb, então a pediatra sugeriu que déssemos a suplementação com fórmula (nan comfor 1), 4x ao dia, além do aleitamento materno a livre demanda, pois ela disse que poderiam ser dores de fome também. O problema é que desde o segundo dia de vida dele, colocamos a formula, pois meu leite não estava descendo muito. Ontem também pude perceber que fiz uma ingestão muito grande de derivados do delito de vaca durante o dia (um como de leite, com aveia e leite condensado + 2 fatias de queijo lanche + umas 50g de barra de chocolate branco), e ele teve crise de cólica durante todo o período mencionado anteriormente e nem a medicação fez efeito (luftal e paracetamol). Hoje não ingeri leite, e ele está melhor desde as 19h, embora medicado tb, mas está dormindo tranquilo, teve pouca cólica, resmungou um pouco, mas dormiu. O pai dele é intolerante a lactose, mas desenvolveu depois de ter/tratar uma bactéria no estômago. Eu suspeito ter intolerância tb, pelos sintomas que apresento com a ingestão de leites e derivados. E quando recem nascida, tive alergia à proteína do leite da vaca também. Não cheguei a conversar com a pediatra a respeito da minha dúvida sobre APLV, mas gostaria de saber mais a respeito. Será que pode ser exagero meu? E ele apresentar um quadro de cólicas intensas só? Será que é muito cedo para saber se ele é alérgico ou não?

    • Tente tirar o Nam. Meu filho de 4 meses (e outros 2 bebês de conhecidos) desenvolveram alergia ao ingerir o Nam, como suplemento à amamentação. Eu tirei o Nam após meu filho, há 10 dias atrás, evacuar sangue. Voltei a amamentar de forma exclusiva. Ele está melhor e não chora. Ainda sai catarro nas fezes, mas a médica diz que demora em torno de 15 dias para ele melhorar, desde que ingeriu o Nam pela última vez. Ela diz que a quantidade de proteína do leite que passa pelo leite materno é ínfima, e, por isso, o Nam provavelmente foi o causador.

  3. Olá pessoal, estou desesperada e peço socorro pra vcs. Meu bebê nasceu prematuro de 32 semanas e ficou internado na Uti Neonatal 26 , nesse período ele tomava leite do peito e fórmula que era o Aptamil. Nesse hospital não tinha banco de leite então durante o dia ele mamava e de madrugada tomava a fórmula. Quando ja estava em casa com ele achava muito estranho os refluxos em jatos , sua dificuldade de ganhar peso e sua prisão de ventre, depois de 19 dias da sua alta do hospital além desses refluxos saiu sangue nas fezes dele então ele voltou pra UTI e ficou internado mais 5dias e então veio o diagnóstico de Aplv. Entrei na dieta de restrição so do leite e dos derrivados e trocaram o leite dele para o Pregomim Pepti ele teve uma boa melhora .
    Mas eu continuo usando óleo e alguns produtos que podem conter soja ou contém soja.
    Com a mudança do leite o coco do meu filho ficou verde bem escuro desde do 1°dia.
    Apos 26 dias da dieta meu filho apresentou um diarreia de com muco que ja duram 7 dias e o coco mudou de cor para amarelo e líquido.
    Será alergia ao pregomin ou tenho que tirar a soja também?
    A pediatra mandou eu retirar, a alergista disse que não tem problema ( isso porque falei pra elas do arroz e do feijão que podem conter soja )
    Acredito que alergia dele os sintomas demoram um pouco para aparecer.
    Não sei sei o que pide ser se foi alguma coisa q comi ou se ele terá que mudar para o Neocate.
    Todos muito caros .

    • tbm gostaria de saber.. a minha cmeçou a apresentar logo que tomou a rotavirus.. segunda a médica deve ter machucado o intestininho dela..

  4. Meu filho apresenta muco e sangue na fralda desde a segunda semana de vida, levei no pediatra e o mesmo me disse que era normal. Questionei e disse que ele estava com o abdômen distendido e chorava muito, apresentou irritabilidade, dificuldades de dormir, apresentava crises de cólica muito fortes durante toda a noite e boa parte da manhã. Além de tudo isso teve um ganho de peso absurdo (1.800 kg) no primeiro mês), o médico disse q não deveria me preocupar que estava td bem pois ele tinha engordado bastante mostrando q não tinha nada. Quando meu bb já estava com 2 meses levei no médico particular e ele me disse que meu filho tem intolerância a lactose, cortei td que tem leite, ovo e glúten, na primeira semana melhorou mas agora ele começou de novo com o choro, a irritabilidade e sangue com muco na fralda, não sei mais o que cortar da minha alimentação pois quase não como mais nada. Ele fará 3 meses dia 25.

  5. Oi minha filha só tem 20 dias de vida e até então eu vim notando que ela ta fazendo coco molhe teve um dia que ela fez coco com sangue só que não passou pela minha cabeça que ela tinha isso um prima minha que falou que um amiga dela o bebê dela tava com os mesmo sintomas mas eu levei no médico ela falou que não era isso não ai ontem ele fez tanta força pra fazer coco que a tripa do anos dela tava querendo sair pra fora levei de novo no médico falarão que não podia ser isso que ela tem tolerância ai começei a pesquisa na internet e todos os sistemas que as crianças tem os mesmos minha filha tem será que alguém pode me ajuda oque eu devo corta pra não fazer mal a minha bebê?

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