Maternidade real não vem com um manual

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Mães devem seguir seus instintos (Foto: Coletivo Buriti por Gabi Trevisan)

Mães devem seguir seus instintos (Foto: Coletivo Buriti por Gabi Trevisan)

Quando a mulher engravida, começa a ler, entra em grupos de mães nas redes sociais, fala com a tia, com a vizinha e ouve infinitas opiniões e orientações sobre o que é deve ou não fazer. Mas, na maternidade há certo ou errado? A jornalista Rita Lisauskas, mãe do Samuca e autora do blog Ser Mãe é Padecer na Internet, diz que não. Ela vai lançar no início de maio o livro Mãe sem Manual que, com textos leves e divertidos, mostra para as mães que cada uma deve seguir seus próprios instintos na hora de maternar.

“A proposta do livro é ser um antimanual. Em vez de dizer o que é certo e errado, como se as coisas fossem assim tão simples, o objetivo é dar um abraço apertado em cada gestante e mãe, principalmente, as de primeira viagem”, relata. Ela diz que assim que a mulher confirma a gravidez entra em um mar de expectativas e palpites. “Assim que engravida, todos ao redor sentem no direito de opinar, aconselhar, dizendo para você fazer ‘assim e não assado’”, relata.

Rita diz que o livro quer ajudar as mães e dizer “está tudo bem, amiga”. “Está tudo certo se você sentir medo por colocar uma criança nesse mundo, temer pelo futuro do seu casamento ou do seu emprego, preocupar-se com o preço da creche e da escola particular. A felicidade é apenas um sentimento entre tantos que podem surgir nesse momento inicial e, pasme, pode nem estar entre eles, embora todos digam que você tem de estar feliz, saltitante”, comenta.

A jornalista observa que as mães são muito julgadas. “Elas mal se descobrem mães e já começam a enxergar vários dedos sendo apontados. Claro que existem caminhos que são cientificamente comprovados como melhores mas, às vezes, essa mulher não consegue fazer o que o senso comum diz que é ‘o melhor’”, afirma. A jornalista diz que muitas mulheres, por exemplo, vão fazer uma cesárea sem real indicação ou porque foram enganadas pelo obstetra ou porque não tiveram orientação ou apoio ou simplesmente porque decidiu por esse tipo de parto. “Adianta eu dizer para uma mulher que ela tem que amamentar seu bebê por dois anos se quando acaba a licença maternidade ela é obrigada a voltar uma rotina de trabalho de mais de dez horas por dia e na empresa não há nenhuma sala onde ela possa ordenhar leite materno e conservar esse alimento para levar para o filho mamar no fim do dia? Não, né?”, observa.

Rita teve dificuldades para engravidar e precisou recorrer à inseminação artificial. Como a mãe dela já tinha morrido e as irmãs e primas ainda não eram mães, ela conta que foi difícil buscar referências na maternidade. “Embora isso parecesse uma grande desvantagem à primeira vista, foi o contrário. Eu tinha pouca gente me dizendo o que era certo ou errado e acabei aprendendo com meus próprios erros e acertos”, comenta. A mãe de Samuca diz que acabou pagando um alto preço por também não ter apoio. “Ninguém me alertou, por exemplo, que amamentar não era fácil e instintivo e que, se eu quisesse fazer que desse certo, teria de procurar informação antes do bebê nascer. Como há muita coisa em primeira pessoa no livro, o capítulo sobre amamentação é um dos mais extensos. Eu conto como foi minha história para que as leitoras possam aprender com os meus tropeços, que foram vários”, diz.

A jornalista  orienta as mães a procurar informações o tempo todo e, baseada em seus conhecimentos e realidade, tomar suas decisões. “O instinto é importante, claro, porque é ele que vai te dar aquele impulso de olhar para aquele bebê e descobrir como ele é, do que ele gosta, o que o faz feliz? Instinto e vontade de fazer o melhor são essenciais e se estiverem aliados a informação de qualidade, sem preconceitos ou vícios, você tem grandes chances de escolher caminhos que vão te fazer uma mãe mais feliz”, observa.

Ela ressalta que qualquer manual que diz que seu filho vai dormir a noite toda e que  “só depende de você” ignora que cada criança é única, cada pai e mãe também. “Por isso meu livro é um antimanual. Em vez de dizer o que você tem que fazer eu prefiro te lembrar que o adulto dessa relação é você, ou seja, são os pais e mães que têm que se adequar a esse bebê e não o contrário”, comenta a jornalista que gosta de desmistificar a relação com seu filho, contando suas fraquezas, rindo dos meus erros. “Gosto de mostrar para as minhas amigas que a maternidade perfeitinha da propaganda de shampoo da TV era uma grande piada. A realidade é muito menos glamurosa e, por isso, mais gratificante. A vida real é muito mais legal”, diz.

 

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