‘Médicos não sabem nada sobre amamentação’, diz pediatra canadense

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Bebê mama na primeira hora de vida (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

Bebê mama na primeira hora de vida (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

“Quase nada é ensinado para médicos e enfermeiros sobre amamentação. Eles não sabem ajudar uma mãe com os mamilos machucados por uma pega incorreta nem sabem que amamentar uma criança com mais de dois anos é normal”, diz o pediatra canadense Jack Newman, que é especialista em amamentação.

Em entrevista exclusiva ao site Mães de Peito, ele diz ainda que os médicos e enfermeiros orientam errado as mães a amamentar a cada três horas e 20 minutos em cada seio. Newman coordena, desde 1984, a primeira clínica totalmente dedicada a ajudar mães a amamentar seus bebês dentro de um hospital de Toronto.

No Brasil, muitas mulheres recorrem aos bancos de leite humano ou às consultoras de amamentação quando se deparam com profissionais que não a orientam ou que indicam leite de fórmula na primeira dificuldade. 

Em seu site Newman conta com textos em 22 idiomas, além de várias informações para as lactantes, ele oferece um serviço onde responde praticamente em tempo real as dúvidas das mães de todo o mundo. 

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Entre os dias 30 de maio e 4 de junho Newman estará no Brasil e será um dos palestrantes da terceira edição do Siaparto (Simpósio Internacional de Assistência ao Parto), que acontece no Clube Homs, na avenida Paulista. O evento reúne médicos, enfermeiros, doulas, educadoras perinatais e ativistas do parto humanizado. Durante o evento, Newman dará três palestras sobre amamentação e a expectativa é reunir cerca de 2.000 participantes.

Em uma de suas palestras, Newman falará sobre o que não é ensinado sobre amamentação nas faculdades de medicina. O pediatra comenta ainda que os médicos diagnosticam com facilidade refluxo ou alergia à proteína do leite de vaca sendo que nem sempre é isso. “Eles não sabem que a fórmula não é nada parecido com o leite materno, não sabem ajudar uma mãe que acha que não tem leite suficiente, enfim, não sabem nada da amamentação prática e isso é só o começo”, afirma Newman, autor do melhor guia de amamentação da história.

Além de Newman e outros grandes profissionais da humanização do Brasil e do exterior, o Siaparto também terá oficinas para atualização dos profissionais de saúde que acontecem nos dias 30 e 31 de maio. 

O pediatra Newman (Foto: divulgação)

O pediatra Newman (Foto: divulgação)

Durante o congresso haverá também a chamada ‘sala do ativismo’ com várias palestras e debates com profissionais renomados. Entre os destaques está a parteira mexicana Naoli Vinaver, que falará sobre sexualidade. Haverá ainda outros assuntos que serão abordados como depressão pós-parto, desmame, luto materno, puericultura, aborto legal e até como aplicar a CNV (Comunicação Não Violenta) dentro do ativismo.

Uma das organizadoras da sala, Anna Gallafrio, diz que neste ano a sala do ativismo terá capacidade para 300 pessoas já que nos outros anos o público foi maior do que o esperado. “No ano passado a sala comportava apenas 150 pessoas e algumas ficaram para fora. A ideia dessa sala é integrar, alinhar o discurso e debater pontos importantes”, comenta. Confira aqui a programação do congresso.

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7 Comentários

  1. Acredito que o instinto materno, vai aperfeiçoando cada mãe, eu sou enfermeira e sempre oriento a cada uma das mãe que o tempo, e a frequência das mamadas vai depender do seu filho, bem como a idade do desmame do sue filho. Reafirmo a cada consulta a importancia do aleitamento materno.

  2. Muito triste esse tipo de postagem, que deixa explícito uma guerra por parcela do mercado médico por um grupo de pessoas sem formação técnica nenhuma que se auto-intitulam especialista em um assunto que muitas vezes aprenderam no Google ou em experiências pessoais restritas, e achando pouco sua prepotência ainda tentam desqualificar os profissionais que levam anos em um banco de universidade …
    O pediatra brasileiro sabe muuuuuuito de amamentação pois esse é tema prioritário dentro da SBP e dos hospitais públicos materno-infantis nacionais, inclusive pré-requisito para manutenção de financiamento destes.

  3. Neide Cacao Kono em

    Dra Judith Amaral Romano , foi pediatra dos meus três filhos! Posso afirmar que há 32 anos ela já entendia muitoooooo de amamentação. Fabio não teria sido amamentado durante seis meses,sendo o leite do peito sua única alimentação durante esse período, se não fosse Dra Judith.Ela me orientava dizendo que o leite se forma quando o bebê suga. E assim acontecia .
    Muito obrigada Dra Judith!!!

  4. Maria Lúcia Ferreira Ramos Silva em

    Claro que o pediatra responsável pela matéria , não quis generalisar , sabendo que no brasil tem crescido o apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno pelo nossos pediatras, porém ainda temos muito profissionais que realmente não sabe orientar de forma correta ao binômio mãe é bebê ,nas sua dificuldades com os problemas que pode surgir para estabelecer á amamentação exclusiva nos primeiros mês de vida do bebês. Trabalho como enfermeira e coordenador de um banco de leite humano em um hospital público de sp, faço acompanhamento de todos nos prematuros desde a alta hospitalar até 6 meses de vida , no nosso ambulatório de amamentação, temos ouvido queixas de mães que na primeira dificuldades passaram em consulta em UBS, PS, UPAS ,receberão orientações incorreta que só pioraram o quadro da paciente.Não basta ser a favor da amamentação…. Os profissionais de saúde precisam conhecer os problemas que podem ocorrer durante a amamentação e oferecer orientações segura para que mães e bebê possam superá – los.

  5. Sou pediatra Neonatologia e fico triste qdo alguém generaliza um assunto tão delicado , o qual tenho estudado e trabalhadado há mais de 20 anos. E não somente eu mas vários colegas… Acredito q aqui no Brasil somos pioneiros e muito mais especializados em aleitamento que no Canadá. Exportamos a tecnologia da pasteurização do leite humano, por exemplo, e lutamos para que bebês recém nascidos tenham o direito de receber o melhor alimento. Bastante diferente de outros países que defendem o direito materno de não amamentar.

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