Mulheres têm dificuldades para obter taxa de cesáreas dos planos

0
Compartilhe!
Grávidas podem solicitar informação dos médicos aos planos de saúde (Foto:  Bia Fotografia)

Grávidas podem solicitar informação dos médicos aos planos de saúde (Foto: Bia Fotografia)

Pacientes com planos de saúde têm encontrado dificuldades para conseguir informações sobre as taxas de cesárea e parto normal dos médicos e dos hospitais cobertos pelo convênio. Desde o início do mês está em vigor a resolução da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) que obriga os planos a oferecer esses dados em até 15 dias após serem solicitados.

Ao pedir as estatísticas dos médicos, alguns convênios têm solicitado às pacientes informações que nem sempre elas têm, como o número do CPF do obstetra, endereço e telefone da clínica, número do CRM, entre outros dados.

Com  28 semanas de gestação, a analista de sistemas Carolina Borges, 32, passou por uma médica do convênio recentemente e não gostou da experiência que teve. A obstetra quis fazer um exame de toque logo na primeira consulta e falou “que faz parto normal desde que a paciente pague pela taxa de disponibilidade”.  A cobrança, que é considerada ilegal pela ANS, é recomendada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) devido à baixa remuneração por parte dos planos de saúde.

Sem condições de pagar pela cobrança extra, a gestante decidiu acionar o plano de saúde para saber os índices de cesárea e parto normal dos médicos do convênio. Carolina conta que enviou uma solicitação pelo site do Bradesco Saúde e, como não obteve retorno, ligou para o plano. “A atendente informou que não havia nenhuma solicitação feita em meu nome. Pedi tudo de novo e falaram que eu precisava passar o nome completo e o CRM dos médicos. Se eles têm os dados dos médicos, custa passar a relação?”, questiona Carolina.

Ao consultar o site da Unimed Paulistana, pacientes relatam que  os dados que estão disponíveis  aparecem iguais para todos os médicos, ou seja, 89% de cesárea e 11% de parto normal. “Cheguei a colocar o meu nome e deu o mesmo número”, comenta a jornalista Daniella Marcos, 36, grávida de 12 semanas.

A doula Anna Kazniakowski Toledo, 28, também relata ter tido problemas com o plano de saúde da Amil. “Fiz uma relação de vários médicos e me pediram até o telefone e endereço do consultório deles. Claro que não tenho essas informações e a resolução da ANS deixa claro que eles têm que fornecer os dados”, comenta.

Com plano da SulAmérica, a jornalista Mariana Whitehead Guimarães, 30, disse que a atendente falou que era preciso dar o nome e o CPF dos médicos.  “Achei estranho pois não temos esse tipo de informação”, disse.

Ao ligar na ANS para reclamar, a atendente também informou que o plano não tinha necessidade de passar essas informações. Apesar de não estar grávida, Mariana diz que os dados são importantes para escolher o ginecologista que vai escolher. “Quero um médico que tenha um perfil mais parecido com o que eu acredito. Se opera todo mundo, isso pode refletir em outros aspectos da ginecologia”, opina.

A advogada Cecilia Hildebrand, 36, também enfrentou dificuldades com a Unimed Fesp. “As atendentes nem sabiam da resolução da ANS. Ficaram me transferindo de um número para o outro. Até que uma hora cansei, disse que era meu direito ter essa informação e aí desligaram na minha cara”, conta Cecilia, que tem plano de saúde na Unimed Fesp. Após reclamar na ANS, o plano retornou dizendo que responderia em 15 dias.

O QUE DIZEM AS OPERADORAS

O Bradesco Seguros informa que no site há uma área de acesso exclusivo ao segurado onde é possível buscar todas as informações.

A Unimed Paulistana informou que a pesquisa deve ser feita no ícone prestadores e que provavelmente os clientes consultaram no ícone ‘operadora”. “Desta forma o percentual que aparece é da Unimed Paulistana. Para melhoria da ferramenta, vamos atualizar o sistema”, diz nota enviada pela assessoria de imprensa.

Já a  SulAmérica informa que os segurados interessados em obter informações podem solicitar os dados por telefone e que as respostas sobre os percentuais de cirurgias serão encaminhadas aos beneficiários por e-mail em até 15 dias.

Plano tem 15 dias para responder para a beneficiária (Foto: Bia Fotografia)

Plano tem 15 dias para responder para a beneficiária (Foto: Bia Fotografia)

A Unimed Fesp informou que tem cumprido o que determina a resolução da ANS. “Considerando se tratar de uma obrigação nova, as orientações nestes primeiros meses serão reiteradas, a fim de garantir o atendimento adequado”, diz a nota enviada pela assessoria.

Procurada, a assessoria de imprensa da Amil falou que não se manifestaria pois cabe a ANS responder sobre o assunto.

O QUE DIZ A ANS

A ANS afirma que desde junho registrou 14 pedidos de informação (cinco sobre partograma e nove a respeito do termo de consentimento) e 167 reclamações, sendo a maioria sobre cobrança de taxa de disponibilidade.

A agência diz que a mulher deve ter as informações fornecendo apenas o nome do médico ou do hospital credenciados pela operadora. Segundo a ANS, o plano de saúde deverá fornecer um número de protocolo e, em 15 dias, responder em linguagem clara e adequada, por escrito, presencialmente, por correspondência ou por e-mail,  conforme escolhido pela beneficiária.

As operadoras que deixarem de prestar as informações solicitadas em cumprimento à resolução estão sujeitas a sanções que podem chegar a multa de R$ 25 mil.

Em caso de descumprimento da resolução normativa 368, existem canais para esclarecer dúvidas ou registrar reclamações pelo Disque ANS (0800 701 9656), ou pelo site da agência.

Comments are closed.

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.