Não basta só querer ter um parto normal, diz Mariana Ferrão após cesárea desnecessária

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Mariana amamenta filho caçula que nasceu de parto normal após cesárea

Mariana amamenta filho caçula que nasceu de parto normal após cesárea

A jornalista Mariana Ferrão, apresentadora do programa Bem Estar da Globo, tem uma história de parto parecida com muitas mulheres no Brasil. Na primeira gestação,ela confiou no médico e acreditou que “bastava querer” para ter um parto normal. No entanto, não foi assim e ela acabou em uma cesárea desnecessária.

Mariana conta que não se preparou para o primeiro parto como no segundo, ocorrido há pouco mais de um ano. “Confiei que tudo ia correr como eu esperava, confiei que meu médico ia respeitar o meu desejo do parto normal, mas não foi o que aconteceu”, relata. Com 39 semanas e cinco dias de gestação, a jornalista recorda que a bolsa estourou e em seguida ligou para o médico que a orientou a ir para o hospital. “Cheguei e estava com 3  centímetros de dilatação, sem nenhuma dor. As contrações eram muito fracas. As enfermeiras informaram o meu obstetra por telefone e ele disse que teria que esperar”, lembra.

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A jornalista diz que na época, quando estava grávida de Miguel,  não sabia se estava ou não em trabalho de parto e que ficou “à deriva” a noite toda na maternidade sem o médico que, na época, era de sua confiança. Ela conta que houve a troca de plantão da enfermagem e que uma nova enfermeira entrou na sala de pré-parto e quis fazer o exame de toque.

“Eu disse que a enfermeira que havia saído tinha acabado de fazer. Ela falou que era precisava repetir o exame porque não podia confiar no que a outra tinha deixado anotado, achei absurdo, mas ela completou: ‘quem sabe não dilatou um pouco mais e a gente pode esperar um parto normal’. Fiquei animada com esta possibilidade e consenti o exame”, comenta. Vale ressaltar que o exame de toque não deve ser feito de forma rotineira e no caso de bolsa rota (quando a bolsa já está estourada), há risco de infecção além, é claro, do incômodo – e até dor – que o exame causa.

Mariana em trabalho de parto no hospital (Foto: arquivo pessoal)

Mariana em trabalho de parto no hospital

Em seguida, o médico telefonou e a questionou porque ela havia deixado repetir o exame. ‘Você não sabe que isso aumenta o risco de contaminação com a bolsa rota?’ Não, eu não sabia. Quem tinha que saber era ele, certo? Quem tinha que estar lá, me apoiando e brigando com as enfermeiras era ele, afinal de contas além de estar sendo pago para aquilo, ele era o profissional da história. Eu estava tendo um filho, pela primeira vez. Com que mais deveria me preocupar?”, questiona Mariana.

Depois de passar a madrugada toda na maternidade, Mariana lembra que o médico chegou por volta das 8h do dia seguinte dizendo que estava tentando o centro cirúrgico para fazer a cesárea. “Ele disse que eu não tinha dilatado até então, então, não ia dilatar mais. Não tentou induzir o parto, enfim, conseguiu a sala ao meio dia e lá fui eu para cesárea”. Mariana afirma que a recuperação da cirurgia foi terrível pois 10 dias após o nascimento o corte abriu. “Lembro que era um sábado e liguei para o meu médico e ele perguntou ‘tem certeza que você quer que eu vá ao consultório para te ver?’. Eu disse que sim, que estava com dor. Depois de me examinar, caçoou e disse ‘ você está reclamando por isso?’. Chorava de dor e ele disse que talvez eu estivesse com depressão pós-parto. Fiquei muito brava e nunca mais voltei lá”, relata.

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Quando engravidou novamente, Mariana decidiu traçar outro caminho. Além de trocar de médico, buscou fazer fisioterapia do assoalho pélvico, meditação, assistiu filmes, leu livros sobre parto normal e trocou muita informação com doulas e amigas que já tinham passado pelo parto humanizado. Mariana relembra que quando estava com 40 semanas e cinco dias começou a notar algo diferente no seu corpo.

“Quando percebi que não estava conseguindo ler a história para o Miguel dormir, liguei para a equipe e a fisioterapeuta foi em casa fazer massagem na minha lombar, o que aliviou muito pois já estava com bastante dor”.

No caminho de casa para o hospital, a jornalista conta que foi difícil lidar com as contrações, que ficaram ainda mais doloridas. “Cheguei ao andar da maternidade urrando de dor. Assim que entramos na sala de pré-parto a médica chegou. Entrei no hospital às 10h30 e o João nasceu 0h07, de parto natural, sem anestesia – exatamente do jeito que eu queria. Nem fomos para o centro cirúrgico”, diz.

Questionada como foi a sua segunda experiência de parto, Mariana diz que foi “muito melhor” . “Me senti respeitada. Me senti mulher. Me senti poderosa”, diz. O pós-parto também foi mais fácil. “No dia seguinte que saí da maternidade, estava no sacolão fazendo compras. Foi mais difícil no primeiro já que a cesárea me deixou com muita dor na região do corte”. Ela também dá um conselho para quem está grávida e sonha em parir. “Se prepare, busque uma equipe que te respeita e que você sabe que já tem bastante experiência com parto normal.”

Mariana com o filho Miguel

Mariana com o filho Miguel; cesárea desnecessária a fez buscar um parto normal na segunda gestação

PÓS-PARTO E AMAMENTAÇÃO

Assim como a recuperação foi melhor no segundo parto, na amamentação também a experiência foi diferente com o segundo filho. No primeiro, conta Mariana, o desmame ocorreu quando ela retornou ao trabalho quando Miguel, que hoje está com 3 anos,  tinha oito meses de vida. Com João, que está com pouco mais de um ano, ela segue amamentando mesmo com o fim da licença e o retorno das gravações.

Questionada sobre o que é mais difícil em ser mãe de dois, Mariana comenta que é a falta de tempo para ela e por não ser mais dona do seu próprio tempo.. “Eu tento me dividir entre os dois e tento propor brincadeiras que a gente possa fazer junto. também tento o máximo possível vir para a casa e ficar um pouco com o João enquanto o Miguel está na escola”, diz Mariana que, por enquanto, não planeja ter mais filhos.

Mariana com os dois filhos; "após a maternidade não somos donas mais do nosso próprio tempo"

Mariana com os dois filhos; “após a maternidade não somos donas mais do nosso próprio tempo”

 

2 Comentários

  1. Profa Dra Maria Solange Guarino Tavares em

    Isso acontece sempre pela e inexperiencia da mãe e a relação de poder e saber do médico. O que estranho é uma profissional duvidar do exame e das anotações da colega . Sou docente de obstetrícias e essa relação profissional não condiz com um profissional ético e Comprometido com a profissão e a saúde da paciente

  2. Não se pode colocar a “culpa” tb no médico. Em casos de bolsa rota tem um período máximo de espera, ele procedeu dentro do padrão. A diferença está em se preparar ou não, e isso é pessoal pois, infelizmente, a cultura do parto normal está sumindo, e as mulheres estão “pagando” por um apoio, pois realmente não é só chegar e parir.

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