Obstetriz é a melhor profissional para atender parto, diz médico

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Reação da mãe ao pegar bebê no colo após o parto (Foto: Carolina Zia Fotografia)

Reação da mãe ao pegar bebê no colo após o parto (Foto: Carolina Zia Fotografia)

Para reduzir as altas taxas de cesárea é preciso mudar a forma como as gestantes são atendidas no Brasil. A opinião é do médico obstetra Jorge Kuhn, que é um dos principais nomes no país quando o assunto é parto humanizado.

Ele acredita que em um cenário não muito distante as grávidas farão pré-natal com uma equipe multidisciplinar, com enfermeiras obstetras, obstetrizes (parteiras) e médicos. O obstetra, que é dono da Casa Moara, diz que a tendência é a gestante não ser mais atendidas no parto pelo médico que acompanhou seus nove meses de gravidez. “Não teremos mais médicos pré-natalista e isso é uma baita vantagem”, comenta.

Kuhn diz que esse modelo já existe em vários países europeus e dá certo. “Ao morar na Alemanha, aprendi com as obstetrizes que elas são as melhores profissionais para atender o parto normal. Se precisar intervir, tiver alguma complicação, o médico será chamado, mas os partos de baixo risco, que são de 80% a 90% dos partos, devem ser atendidas pelas obstetrizes”, ressalta.

LEIA MAIS: Quer um parto respeitoso? Procure uma obstetriz

O médico disse que as altas taxas de cesárea  – que na rede privada chega a ser superior a 80% em muitas unidades de saúde – ocorrem por um problema multifatorial. “Um dos motivos é o cuidado ser centrado no médico que faz o pré-natal, ou seja, a gestante quer ser atendida por ele na gestação e no dia do parto e isso não funciona”, diz. O médico também já disse a reportagem que a falta de informação leva a gestante para a cesárea. Leia aqui.

O médico Jorge Kuhn durante palestra no Siaparto (Foto: Coletivo Buriti por Gabi Trevisan)

O médico Jorge Kuhn durante palestra no Siaparto (Foto: Coletivo Buriti por Gabi Trevisan)

O obstetra diz que muitos médicos já não atendem mais partos justamente por conta da baixa remuneração, de precisar estar sempre disponível, enfim, é um sistema obsoleto e que deve acabar. “Vai ter médico que só vai atender o pré-natal e outros que vão atender as mulheres no plantão”, acredita Kuhn.

Quando foi estudar na Alemanha, Kuhn disse que encontrava com várias brasileiras que reclamavam de ter seus bebês no exterior com o plantonista. “Elas me diziam que se estivessem no Brasil elas seriam atendidos pelo médico do convênio e que o mesmo profissional faria o parto. Eu dizia para elas que esse seria o médico que faria a cesárea delas, que elas não conseguiriam parir no Brasil”, diz.

O médico que trabalha tanto no SUS (Sistema Único de Saúde) como na rede privada diz que fica incomodado por no Brasil o atendimento ser dividido. “SUS significa único. Deveria ser um só para todos. Na Alemanha quem pode pagar mais tem uma hotelaria melhor na maternidade, mas o atendimento é igual para todas”, afirma.

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2 Comentários

  1. Acho que o dr. Khun tem razão. Separar os momentos. Pré natal com médico sus ou particular e partos com a parteira ou enfermeira obstétrica. Vai acabar com a incidência de partos cesáreo e com a cobrança de valor para o médico do pré natal estar presente. A gestante tendo certeza do bom atendimento, não fará questão da presença do médico.
    Capacitação de parteiras e enfermeiras obstétricas!

  2. Infelizmente no Nordeste do país essa realidade aibda está distante. Participei do siaparto, mas a minha sementinha irei plantar, mesmo q os frutos demorem a nascer.

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