Ordenha no banheiro traz riscos, mas ainda é única opção para a maioria das mães

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Vidros com leite materno são congelados após ordenha (Foto: Mães de Peito)

Vidros com leite materno são congelados após ordenha (Foto: Mães de Peito)

Ao retornar ao trabalho muitas mães não encontram opções adequadas para fazer a retirada do leite materno já que a maioria das empresas não oferece uma sala de apoio à amamentação.

Fazer a ordenha no banheiro acaba sendo a única alternativa para as mães que querem manter o aleitamento materno mesmo após o fim da licença maternidade.

No entanto, é importante as mães saberem que há risco de contaminação desse leite. A médica pediatra Rosângela Gomes dos Santos, responsável pelo banco de leite humano do Hospital Regional Sul de Santo Amaro, na zona sul de SP, diz que o melhor é descartar esse leite. “A mãe pode fazer a ordenha de alívio para evitar o ingurgitamento das mamas, mas o melhor é descartar esse leite”, afirma.

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Ela explica que o banheiro é o ambiente mais contaminado, ou seja, desde o ar até as maçanetas das portas podem trazer riscos. Ela explica que o leite contaminado pode causar diarreia e infecções intestinais no bebê. “É melhor que a mãe tire o leite no carro, no corredor, na cozinha, na escada, na sala de reunião, enfim, em qualquer lugar e não no banheiro”, orienta.

Para ela, se não há outras opções, a mãe deve fazer o estoque de leite durante a madrugada, por exemplo, ou fazer a ordenha simultaneamente enquanto amamenta o bebê. “Algumas mães ainda têm a opção de ir até a escolinha ou retornar para casa para dar mama, mas nem todas contam com essa comodidade”, diz. 

As leis trabalhistas  permitem que a mãe que amamenta pode tirar dois intervalos de 30 minutos cada, durante sua jornada de trabalho, para fazer a ordenha ou alimentar o filho na escolinha se essa for próxima ou no local de trabalho da mãe. No entanto, esses intervalos podem ser tirados somente até a criança completar seis meses de vida. Após esse período, vale conversar com a chefia para tentar uma negociação caso a mulher continue fazendo a ordenha. Esses intervalos não podem ser descontados da remuneração nem do horário de almoço. Veja aqui quais os direitos das gestantes e da mãe após a volta da licença.

A consultora em amamentação, Fabiola Cassab, que há 10 anos comanda o Matrice –  grupo presencial e virtual de apoio à amamentação –  diz que no entanto a realidade para a maioria das mulheres é outra e só resta o banheiro para fazer a ordenha. “Qualquer leite é melhor que o leite de fórmula”, ressalta a especialista, que também atua como doula.  

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Segundo ela, se a mãe não tem outra alternativa, melhor tirar o leite no banheiro e oferecer ao bebê do que introduzir leite de fórmula. A ordenha com bombas elétricas ajuda a preservar um pouco mais o leite do que se a mulher fizer a ordenha manual no banheiro. O recomendado, explica Fabiola, é redobrar os cuidados com a higiene, enfim, evitar colocar as mãos em maçanetas, vasos sanitários, etc. 

 

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