Para amamentação dar certo não estipule horários nem cronometre as mamadas

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Amamentação precisa fluir naturalmente sem tantas regras (Foto: Mães de Peito)

Amamentação precisa fluir naturalmente sem tantas regras (Foto: Mães de Peito)

Seu filho está no peito, então,  esqueça o relógio. Amamente o seu bebê até que ele adormeça ou aparente estar saciado. Um dos maiores erros da amamentação, segundo especialistas, é estabelecer horários para o bebê mamar e também determinar quanto tempo ele ficará em cada seio.

Atualmente é possível encontrar até aplicativos nos tablets e celulares para avisar a mãe quando amamentar ou qual seio foi dado na última mamada. Ou seja, esses recursos tecnológicos não servem para nada. Só atrapalham.

A obstetriz e consultora em aleitamento materno Ana Garbulho explica que o ideal é que a mulher dê um peito em cada mamada pois assim o bebê receberá um aporte maior de gordura. “Os ductos mais baixos secretam leite mais rico em sais minerais, que é o que hidrata, mata a sede. Já os ductos mais altos secretam o leite mais gorduroso, mais rico em lipídios que faz com que o bebê se sinta saciado e ganhe peso”, explica.

Pense que o início da amamentação é a salada e o prato principal chega conforme seu filho vai ficando mais e mais tempo no mesmo seio. “Muitas mães ouvem conselhos antigos que falam para dar 10 minutos em cada peito sendo que o leite posterior é o mais rico em gordura”, comenta.

A consultora de amamentação diz  que as mães não devem impor regras rígidas, afinal, a amamentação é um momento de entrega e prazer. Ela diz que se a mãe perceber que o filho parece estar irritado e que o fluxo não está tão intenso como antes nada a impede de dar o outro peito também, mas que o melhor é ficar com um peito em cada mamada.

MAIORES ERROS

Ana explica ainda que um dos maiores erros da amamentação é estabelecer horários como, por exemplo, o bebê só pode mamar de três em três horas.

Muitas mães acordam seus filhos só porque o relógio marca 15h e neste horário ele deveria mamar. Se o bebê está saciado, dormindo, não há motivo para acordá-lo pois ele só ficará irritado ao ser despertado. “Fazer isso é pedir para a amamentação não evoluir”, afirma a consultora, que recomenda as lactantes amamentar em livre demanda (sempre que o bebê quer).

Se a livre demanda não ocorre normalmente os pais recorrem a outros inimigos da amamentação, como as chupetas e mamadeiras. “Acabam dando bicos artificiais para dar água, suco, chá, ou seja, tudo que é totalmente desnecessário”, diz.

A recomendação do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que o bebê mame exclusivamente o leite materno até os seis meses de vida e como complemento a outros alimentos até a criança completar dois anos ou mais. Conforme já mostrou o site Mães de Peito, os sucos só devem ser iniciados após a criança completar um ano de vida.

Para saber qual o último seio que deu na mamada anterior, Ana orienta as mães a apalpar a mama para sentir qual está mais murcha, ou seja, a que estiver mais dura (cheia) é a que deve ser oferecida ao bebê.

Ela ressalta que  a descida do leite pode ser um período crítico e crucial no estabelecimento da amamentação.

“Se as mamas estão moles e mais flácidas o bebê consegue abocanhar corretamente a auréola. Quando está muito cheia de leite, dura, pode atrapalhar na pega. Por isso é importante a mulher saber fazer a ordenha manual para deixar as mamas moles para o bebê conseguir mamar corretamente”, diz Ana, que aconselha as mulheres a procurar uma especialista em amamentação antes de pensar em recorrer a bicos artificiais ou leites de fórmula.

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