“Parir em casa, na minha cama, foi transformador”, diz Sophie Charlotte

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A atriz Sophie Charlotte amamenta filho Otto (Foto: arquivo pessoal)

A atriz Sophie Charlotte amamenta filho Otto (Foto: arquivo pessoal)

Quando engravidou, a atriz Sophie Charlotte buscou informações sobre o parto humanizado e decidiu optar pelo parto domiciliar acompanhada de duas enfermeiras obstétricas. No Rio, onde ela mora, ainda é proibido que os médicos acompanhem partos domiciliares.

Em entrevista exclusiva ao Mães de Peito,a mãe de Otto, 1 ano, conta que parir foi uma experiência transformadora. “O parto durou 11 horas juntando contrações fortes e o expulsivo. Meu parto me transformou profundamente, revolucionou minha vida como mulher, ser humano, bicho e força da natureza”, conta Sophie. Além das enfermeiras obstetras, o marido, o ator Daniel de Oliveira, também estava ao seu lado durante todo o tempo.

Para a atriz, o mais difícil foi quebrar os próprios bloqueios mentais para que pudesse parir. “Nosso processo cultural cria armadilhas que distanciam a mulher do poder natural de parir. Fora a responsabilidade de fazer a escolha de parir em casa que ainda gera tanto estranhamento nas pessoas. Somente a minha mãe e a minha sogra sabiam que iríamos ter um parto domiciliar, mas só souberam que eu  tinha entrado em trabalho de parto depois que o Otto já tinha nascido. Foi para evitar expectativas”, relata.

Sophie conta que não chegou a passar por nenhum médico cesaristas, mas que sofreu preconceito até dentro da própria família. “Depois do parto já realizado, uma parte da família me achou irresponsável pela minha escolha de parto domiciliar, mas sei que foi a escolha mais acertada da minha vida! Essa e o meu casamento! Foi fundamental ter o Daniel ao meu lado escolhendo esse parto junto comigo e pronto para tudo ao meu lado!”, diz.

Ela diz que o parto normal sempre foi algo natural para ela e sua família. “Eu nasci num parto natural hospitalar na Alemanha, minha mãe teve o meu irmão mais novo de parto natural pélvico enquanto a minha sogra teve os seus dois partos naturais também. Sabia que esse histórico já ajudava”, afirma.

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A decisão do parto domiciliar, diz a mãe de Otto, foi construída durante a gestação ao entender mais sobre o processo de empoderamento do próprio corpo. Ao ler sobre o parto natural nos livros do obstetra francês Michel Odent, ela passou a questionar a necessidade de se deslocar ao hospital. “Ir a um espaço totalmente estranho para o meu corpo no meio das contrações não fazia sentido. O hospital e todas as pessoas que trabalham lá estariam observando ou escutando esse momento que para mim seria [e foi]o mais íntimo e fisiológico da minha vida”, diz a atriz que considera que sua vida já é bastante exposta por conta da fama e queria privacidade para parir.

MENOS INTERVENÇÕES NO BEBÊ

Sophie conta ainda que a decisão de parir em casa não foi só pensando nela, mas para que Otto nascesse sem intervenções que acabam sendo protocolo nos hospitais. “Queria garantir que o Otto nascesse numa temperatura compatível com o momento, não fosse aspirado, separado de mim, injetado com vitamina K, não queria colírio nos olhos, luz fria, banho imediatamente. Enfim, uma série de intervenções que não desejava nos primeiros momentos de vida do meu filho”, ressalta.

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Otto decidiu quando queria vir ao mundo e nasceu na cama do casal. “Passei pelo chuveiro,  banheira, baqueta e de quatro apoios. Fui tentando de tudo, mas foi deitada na cama que achei a posição mais confortável para mim. O importante foi que estava livre para circular e pirar, gemer, gritar e beber água. Era tudo como queria, estava na minha casa, que por sorte tem vidros duplos nas janelas”, conta, aos risos, dizendo que os vizinhos não conseguiram ouvir seus gritos.

Sophie diz que o processo expulsivo foi muito prazeroso. “Dormi entre as contrações mais fortes. Estava tão feliz de estar quase vendo o meu filho e de estar dando tudo certo, que sorri na última parte da força. E disse as palavras: ‘Sim! Meu filho!’ Disse umas três vezes”, recorda. “Quando nasceu a dor passou e estava tomada pela sensação da presença de Deus e o milagre da vida. O tempo para! E tudo faz sentido! Foi uma paz absoluta!”.

AMAMENTAÇÃO

Assim que Otto nasceu, foi direto para o colo da mãe e achou o  bico do peito sozinho e começou a mamar. “A sensação que tive foi de ter feito isso a vida inteira. A minha enfermeira obstetra, Heloisa Lessa, me ensinou muito. O mais legal foi quando ela disse que a parte da dor [do parto]já tinha passado e que a partir daquele momento era para ser prazeroso [a amamentação]”, diz.

Para Sophie, foi fundamental a presença da mãe dela, da sogra e do marido na primeira semana após o parto.  “É preciso ter calma para passar e entender as ondas de hormônios, baby blues, falta de sono, o meu novo corpo, que é um corpo alimento. É muita novidade! O parto é só o começo! Mas, com cuidado,  escuta e paciência podemos fazer de tudo isso grandes lições”, comenta Sophie, que segue amamentando o filho e pretende seguir até onde for possível.

A atriz conta que  conseguiu  amamentar  exclusivamente até os seis meses de vida do filho e que iniciou aos poucos a introdução alimentar. Para ela, isso foi possível pois teve uma licença maternidade estendida. “Voltei a trabalhar quando o Otto já tinha 10 meses. Tive uma rede de apoio maravilhosa,  mas sinto falta de ficar só com ele. Sentimos essa separação e tento compensar amamentando sempre que posso e dormimos juntos”, relata.

Para ela, é preciso batalhar para que as mulheres tenham direito a ter uma licença maior e que ela possa ser dividida com os pais. “Só assim para poder acabar com a diferença salarial entre os gêneros”, opina.

Otto completou um ano em março e Sophie já começa a pensar em um segundo filho. “Quem sabe no ano que vem”, diz. Sobre o primeiro ano do filho,ela diz que foi lindo, feliz, mas também difícil e cansativo. “O difícil é superar os limites do cansaço e ser só doação e amor. O mais prazeroso é  descobrir que podemos ir além, que amar alguém mais que a nossa própria vida é o amor genuíno, puro. É aprender a venerar um Deus de pureza, que é o seu bebê. Aprender a servir a alguém. Para mim foi uma lição de amor e desapego. O amor mais complexo e paradoxalmente o mais simples de todos que já senti”, relata.

Para ela, a melhor coisa na maternidade é se libertar do que as outras pessoas dizem ser o melhor e ouvir a voz da intuição. “Pela minha experiência, é isso que aproxima mais a mãe do bebê”.

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