Parto domiciliar permite que filho mais velho participe do nascimento do irmão

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Camila com os filhos Benício e Aurora (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

Camila com os filhos Benício e Aurora (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

As mulheres que optam em ter um parto domiciliar muitas vezes o escolhem, entre outros motivos,  para poder ter a participação dos outros filhos e demais familiares, enfim, estar cercada das pessoas mais importantes neste momento especial.

A empresária Camila Santiago Torres, 32, teve sua filha Aurora há oito meses em casa com a presença do irmão Benício, que na época tinha 2 anos. Ela conta que já tinha combinado com os vizinhos de cuidar do pequeno durante o trabalho de parto, mas que ele não quis sair do lado dela nenhum minuto, nem para tomar café da manhã que é sua refeição preferida.  

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Camila diz que a experiência foi maravilhosa e que Benício só saiu de perto após ver a irmã nascer. “Ele me abraçou, fez carinho na minha barriga, nas minhas costas. Foi muito especial e ele fala do nascimento da irmã até hoje”, comenta. Na banheira inflável montada na casa da família, Benício brincou com um barquinho feito de papel. A mãe conta que quando viu a irmã, ele disparou um “nossa, olha, é um neném igual a Sophia”, que é a filha de um casal de amigos deles que tinha nascido pouco tempo antes da irmã.

Camila conta que o filho mais velho nasceu de parto normal hospitalar e, por não ter gostado dos procolos hospitalares, optou em ter o segundo parto em casa. Ela diz que preparou Benício para o nascimento da irmã lendo o livro infantil “Nasce um bebê…naturalmente”, da parteira Naoli Vinaver, e que falou sobre o nascimento com ele durante toda a gestação.

Benício brinca de barquinho durante o parto (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

Benício brinca de barquinho durante o parto (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

A mexicana Naoli Vinaver é parteira especializada em partos domiciliares desde 1987 e conta que em mais de 500 os outros filhos – de todas as idades – viram seus irmãos nascerem. “A grande maioria adora, fica extremamente feliz em partilhar desse momento que também é deles”, observa.

Naoli comenta que na maioria dos casos os filhos ficam em casa o tempo todo e que normalmente há um terceiro adulto – sem ser o pai ou a mãe – para cuidar da criança e atender suas necessidades, como alimentar, distrair, brincar, dar uma volta, enfim, dar atenção para ela durante o trabalho de parto e parto em si. “Se o parto estiver demorando bastante, o irmão muitas vezes sai, vai para casa da vó, para o parque,  e volta mais na hora do nascimento ou, se a mãe ou a criança preferir, volta apenas após o nascimento”, comenta a parteira que decidiu escrever o livro justamente para mostrar as crianças sobre como o nascimento é algo natural e faz parte da nossa vida.

Naoli diz que a decisão de escrever o livro foi justamente porque as pessoas sabem pouco sobre o processo do gestar e parir naturalmente. “Se essa informação chegasse cedo nas nossas vidas e da forma mais natural possível a humanidade ia poder curtir o parto e o nascimento”, diz.

A parteira diz que a ideia foi para criar um material didático que ensinasse os pequenos e também os pais na hora de ler os livros para seus filhos. “O livro está cheio de detalhes e frases dirigidas aos pais para dar referências e acabar com mitos e preconceitos em torno do parto. Cito a frase “e quando o bebê nasceu todo mundo chorou menos o bebê” e o que eu quis passar é que os bebês não precisam chorar para nascer bem, e que pelo contrário, os adultos acompanhando o nascimento precisam se sensibilizar mais até para conseguir chorar de emoção pela grandiosidade e sacralidade do evento”, afirma.

Naoli é mãe de três filhos e todos nasceram de parto domiciliar com parteiras. Ela conta que os filhos acompanharam o nascimento dos irmãos. “No parto da minha terceira filha, após ela nascer, todos eles entraram na banheira comigo e ficamos juntos. Meus três filhos, eu e o pai deles celebrando a nossa nova família que acabara de nascer”, conta a parteira.

Ela ressalta que o livro não é só para quem planeja ter um parto domiciliar, mas para todas as famílias para ajudar as crianças a compreenderem os processos naturais da vida. “As crianças são as primeiras pessoas em achar lindo e se maravilhar sem preconceitos nem frescuras!”, ressalta.

Benício ao lado dos pais durante as contrações (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

Benício ao lado dos pais durante as contrações (Foto: Coletivo Buriti por Lela Beltrão)

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