Preciso dar um peito por mamada? Desmistificando o leite anterior e posterior

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A recomendação dada para as mães que amamentam era sempre dar uma mama por mamada, ou seja, fazer com que o bebê recebesse assim o leite anterior (mais aguado) e o posterior (mais cheio de gordura e que ajuda a saciar o bebê).  Mas, será que existe isso de leite anterior e posterior?

A pediatra Vânia Gato, da Lumos Cultural, explica que não. Ela diz que o mais importante é não se preocupar em “esvaziar” o peito e nem com o tempo de mamada.  A médica comenta que o leite materno varia a sua composição durante a mamada e que é preciso desmistificar que a mãe precisa esvaziar a mama a cada mamada. “É importante dizer que não há um momento súbito que o leite muda de composição como num toque de mágica e, se isso acontecesse, não teria como a mãe saber. A gordura do leite está na parede dos alvéolos e ela vai se desprender durante a mamada e se misturar ao resto do leite”, explica a médica.

Ela afirma que o leite materno é globalmente rico em água, mas ele é dinâmico e sua porcentagem de gordura varia ao longo do dia e ao longo da própria mamada. “Existe sim o leite mais gordo e o mais magro, mas não tem relação com o início e o fim da mamada.  As mães não devem se preocupar com o teor de gordura do leite, mas com a efetividade da mamada”, comenta.

Durante o Congresso Mame Bem realizado em junho em Belo Horizonte (MG), a pediatra explicou também que o reflexo de ejeção é o momento que o bebê recebe mais leite e que, durante a mamada, podem acontecer um ou mais reflexos. “A porcentagem de gordura aumenta durante o reflexo de ejeção”, comenta.

Ela faz um alerta que, se o reflexo de ejeção é inefetivo, o bebê dá sinais como fica horas no peito, não sai do peito, fica irritado e briga com o peito, mama sem ritmo, etc. ” Sem atividade no peito, não há drenagem da mama e ela fica ingurgitada. Outro sinal de alerta é urina concentrada e fezes escuras”, diz.

Vânia ressaltou também que a produção de leite, após a apojadura, é regulada sob demanda. “Quanto mais mamar, mais leite essa mulher vai ter e o que a gente precisa é observar a efetividade da mamada”, orienta.

Vânia disse ainda que o leite materno é gordo e que se o bebê, por exemplo, não ganha peso é preciso investigar  não só a efetividade da mamada, mas questões de produção láctea, disfunção oral do bebê, entre outros fatores. Na dúvida, se o bebê está tendo ou não uma mamada efetiva ou algum outro problema na amamentação, o recomendado é procurar sempre uma consultora de amamentação, banco de leite e/ou o pediatra.

A pediatra ressalta a importância de amamentar em livre demanda, ou seja, sem uso de bicos artificiais.  “O melhor é a mãe não se preocupar com o tempo de mamada, mas com a efetividade dela e também oferecer sim os dois peitos”, orienta.  Vânia também ressalta que cada bebê tem um ritmo de mamada e que se está tudo bem, não há por que se intrometer nesse processo.

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