Profissional de saúde deve tratar a criança e não apenas a doença

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Charge feita durante uma das palestras no simpósio (Foto: Mães de Peito)
Charge feita durante o simpósio (Foto: Mães de Peito)


Uma madrugada fria e a criança sonolenta faz a inalação sentada em uma cadeira dura. Para tentar dar um pouco mais de conforto ao filho, a mãe une duas cadeiras vazias. Em seguida, é repreendida pela enfermeira que a proíbe de fazer a minicama improvisada. “São regras do hospital”, diz a mulher, enérgica. A mãe chora cansada depois de tantas horas de espera e fica revoltada já que o local está vazio e não havia motivo para tal proibição. “Não dá, é troca de plantão e não posso deixar”, conclui a funcionária de um pronto-socorro particular e renomado de São Paulo.

Procedimentos rotineiros e protocolos que não olham o paciente como uma criança foram alguns dos assuntos tratados nesta quarta-feira durante o V Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, promovido pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, em São Paulo. O blog Mães de Peito está no evento, que será encerrado nesta quinta-feira (8) a convite da Kimberly-Clark, uma das apoiadoras do simpósio.

O médico e provedor da Santa Casa, José Luiz Setúbal, disse que os profissionais da saúde precisam se importar mais com a criança e o bem-estar daquele pequeno paciente do que apenas com a doença dele. “Precisa ver que ali está uma criança. Só vamos conseguir mudar isso com muito treinamento e enxergar a criança e não só a doença”, diz Setúbal. Segundo ele, ainda não é habitual esse olhar diferenciado, principalmente, nos hospitais gerais.

Tratar crianças com mais respeito, principalmente, as que estão internadas é um desafio. No caso de internações eletivas (agendadas) o médico recomenda que os pais expliquem aos filhos o que vai acontecer, que tipo de tratamento ele será submetido. Não adianta esconder nada deles, mas há maneiras de explicar o que está por vir.

O médico, que é pediatra, diz que a criança internada tem a ruptura do seu espaço (sua casa), da sua rotina e das pessoas com quem convive. “Os pais devem explicar ao filho que estarão com ele o tempo todo, que ele vai poder levar seu cobertor, seu brinquedo favorito. Os profissionais de saúde precisam preparar os pais para que eles saibam preparar a criança”, aconselha, dando exemplos para minimizar o sofrimento da criança doente.

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