Roer unha faz parte do desenvolvimento da criança; saiba mais

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A criança que até pouco tempo atrás fazia um verdadeiro escândalo para cortar as unhas está sempre com as unhas bem curtinhas. Nem o pai nem a mãe cortaram. Ao reparar melhor, os pais notam que aquele pequeno não fica só com os dedos na boca, mas passou a roer as unhas também.

A criança na faixa etária dos três e quatro anos é a mais propensa a roer as unhas. A psicopedagoga Lilian Rodrigues Santos explica que a onicofagia (ato de roer a unha) faz parte do desenvolvimento da criança e está relacionada com a independência dela. “É nesta faixa etária que a criança começa a fazer muito mais coisas sozinhas. São vários desafios pois eles já não querem receber tudo pronto como quando eram bebês”, explica.

Começar a colocar uma blusa sozinha, a guardar os brinquedos, a ir ao banheiro são alguns dos ‘desafios’ das crianças nesta fase. “Muitas vezes as crianças conseguem superar os obstáculos apresentados pela vida. Mas outras não. E quando não conseguem resolver algo, podem ter as mais diversas reações para minimizar a tensão”, diz.

Roer unha é normal em crianças pequenas; pais podem ajudar a tirar esse hábito  (Foto: Mães de Peito)

O excesso de atividades ou o tédio também podem contribuir para o hábito, que pode ser passageiro ou, se não superado ou tratado, permanecer durante toda vida.

A psicopedagoga diz que uma dica importante para os pais e cuidadores da criança que rói unha é não reforçar o hábito. “Não adianta  dar bronca ou reprimir quando a criança estiver roendo as unhas. Com isso, os adultos chamam a atenção para o hábito, reforçando-o. E jamais deprecie ou humilhe”, orienta.

A psicopedagoga diz que castigar a criança também não trará bons resultados assim como passar substância com gosto ruim, como pimenta, nos dedos da criança. “Para o seu filho, a sensação será de que está sendo punindo. Não há motivo para punição, já que roer as unhas é um ato compulsivo e a criança não o faz porque quer”, diz.

Apesar de a situação causar certo desconforto nos pais, a orientação é tentar distrair a criança no momento que ela está roendo a unha. “Vale pegar um jogo para brincar com ela, pedir que ela te ajude com algo ou começar a cantar ou dançar juntos. Na maioria das vezes, sem perceber, a criança cessará o hábito”, diz.

Outra fato importante é os pais prestarem atenção nas atividades corriqueiras e elogiar o filho se ele conseguir fazer alguma atividade, como tirar os tênis sozinho e incentivar gentilmente o que ele ainda não consegue.

“É também importante evitar os momentos de tensão, abolindo filmes ou desenhos que contenham perseguições, suspense ou terror”, orienta. Se o hábito persistir,  mesmo diante de desenhos tranquilos, pouco a pouco diminua o tempo diante da TV, substituindo-o por atividades que ocupem mãos e mente, ou seja, giz de cera, tintas, brinquedos de madeira, culinária e jardinagem são exemplos de aliados na diminuição e rápida extinção do hábito.

Fora de casa, a bicicleta sem pedais (bicicleta de treinamento) e bolas mantêm as mãos cada vez mais tempo longe da boca, além de reduzirem momentos de tédio e estresse. “Vale conversar usando um vocabulário simples e conscientizar a criança sobre o mau hábito, dizendo que as unhas estão normalmente sujas e que a sujeira vai para a barriguinha deles, podendo causar dor ou mal estar”, afirma.

Lilian diz que a preocupação dos pais pode aumentar quando a criança rói as unhas depois dos cinco anos ou ainda apresenta um comportamento incomum, como choro e baixa tolerância à frustração, agressividade, medos exagerados.

“Nesses casos, o melhor é procurar ajuda especializada de um psicólogo, pois tais comportamentos demonstram que a criança não está conseguindo sozinha resolver seu conflito. A causa precisa então ser investigada a fundo.”

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