Tocofobia: saiba quando a mulher tem pavor da gestação e do parto

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Tocofobia é tratável e mulher precisa passar por equipe multidisciplinar (Foto: Bia Takata)

Tocofobia é tratável e mulher precisa passar por equipe multidisciplinar (Foto: Bia Fotografia)

Algumas mulheres têm verdadeiro pavor de imaginar um bebê se formando e crescendo dentro da barriga delas e, é claro, do parto em si. A doença tem nome e, apesar de ser pouco falada, é chamada de tocofobia.

A psicóloga Juliana Valente Conde, que é especialista em clínica perinatal, diz que é super comum as mulheres, principalmente as mães de primeira viagem, terem receios e ansiedades em relação ao parto e que isso nada tem a ver com tocofobia. “As mulheres diagnosticadas com tocofobia apresentam uma verdadeira aversão a ideia de parir. Para muitas o desconforto extremo já começa na gestação e acham que o parto pode levar a sua morte ou a do bebê”, explica a psicóloga.

Juliana explica que a mulher com tocofobia tem medo da dor do parto ou de passar por uma cesárea. “Muitas descrevem como a imagem de uma experiência mortífera. A tocofobia pode se desenvolver naquela mulher que não tem filhos ainda e pode estar relacionado a traumas e abusos sexuais anteriores, história obstétrica familiar violenta ou pode simplesmente se desencadear a partir do testemunho de um vídeo de parto”, relata a especialista. Outras mulheres, explica a psicóloga, desenvolvem a tocofobia depois de um primeiro parto traumático, fruto de violência obstétrica ou de um parto com muitos problemas.

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Além dos medos comuns, a mulher com tocofobia apresenta alguns sintomas como crises de ansiedade, choro constante ao falar do evento, descontrole emocional, depressão – não necessariamente todos precisam estar presentes. Outros sintomas que podem estar associados a tocofobia são tentativas de aborto ou controle excessivo com a contracepção.  

TRATAMENTO

A mulher diagnosticada com tocofobia e que deseja engravidar deve buscar ajuda ainda antes da concepção. Juliana diz que é necessária uma intervenção multidisciplinar do psicólogo, psiquiatra e profissionais da assistência ao parto. “O trabalho integrado desses profissionais pode ajudá-la a passar pela gestação e parto de forma mais tranquila e prevenir a depressão pós-parto, que é comum nesses casos”, relata.

“O que observo com os relatos das pacientes é que elas sofrem forte influência na nossa cultura, que é uma cultura de cesarianas. O parto deixou de ser encarado como um evento natural no ciclo de vida da mulher, como era para as nossas avós [não que essas não tivessem seus medos também], e hoje é visto como um ato de coragem, e mais, um risco”, observa.

Algumas mulheres com tocofobia que só consideram a cesárea como via de nascimento mudam de opinião após o acompanhamento durante a gestação. “A medicação é necessária na maioria desses casos, já que a mulher com tocofobia apresenta muitas vezes crises de pânico e humor depressivo durante a gravidez. Outro sintoma comum na tocofobia são as náuseas e vômitos excessivos durante a gestação, o que simbolizaria uma rejeição à gravidez”, diz a psicóloga.

Juliana diz que é fundamental, além da ajuda profissional, que a mulher conte com uma rede apoio. “Como as demais fobias, a tocofobia pode ser tratada. Nesses casos, o suporte constante de um parceiro(a) e rede de apoio é muito importante. É desejável inclusive, durante o tratamento, que o parceiro(a) esteja presente nas consultas com o médico e em algumas consultas com o psicólogo”, diz.

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