Vizinho manda bilhete ofensivo para reclamar de choro de crianças

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Bilhete deixado por vizinho em condomínio no RS (Foto: Reprodução)

Bilhete deixado por vizinho em condomínio no RS (Foto: Reprodução)

“O que é mais idiota, duas crianças insuportáveis que choram dia e noite ou dois chinelos [gíria no Sul do país para indicar um pé rapado] que resolvem ter filhos? Qual a razão para moradores terem que agüentar  choro de filho “dos outros”?”. Foi esse bilhete que a mãe de dois filhos, a jornalista Luana Dalzotto de Castro Alves e o marido encontraram na sua caixa de correspondência do prédio onde moram em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Luana conta que os filhos têm 4 e 2 anos e cinco meses e, como qualquer criança pequena, choram, brincam, correm pela casa. “Joaquim com a mesma facilidade que ri, chora. Flora não ri tão fácil quanto chora. No dia que recebemos o bilhete, Joaquim saiu da escola contrariado e chegou em casa assim. Um vizinho, creio que tão cansado com o choro dos meus filhos quanto eu, deixou um bilhete extremamente covarde na nossa caixa de correspondência”, lamenta a mãe que não faz idéia de quem foi responsável pelo bilhete.

A mãe conta que nunca houve qualquer tipo de reclamação por parte dos vizinhos por conta das crianças e que ficou chateada por receber um bilhete anônimo. Ao conversar com outros vizinhos, se surpreendeu ao saber que outros moradores também receberam bilhetes parecidos, mas a crítica era relacionada à presença de cachorros. “Vamos procurar uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência”, conta Luana.

A jornalista acredita que faltou empatia do vizinho com ela e outros moradores. “Para pessoas assim desejo que não tenha filhos. Desejo que vá morar no mato. Um mato sem árvore pra não ter o barulho do vento e o som dos pássaros. Desejo também mais peito para enfrentar a vida e mais sensibilidade pra sacar que as crianças ‘insuportáveis’ estão aprendendo sobre os sentimentos, coisa que o vizinho ou a vizinha ainda não aprendeu”, relata Luana.

Ela diz que os filhos costumam acordar entre 7h30 e 8h e vão dormir normalmente às 21h30. “A mais nova às vezes chora de madrugada. Mas não é todos os dias. De manhã estão em casa com o pai e de tarde vão pra escolinha. Chegamos lá pelas 18h em casa de volta”, conta sobre a rotina da família que é bem parecida com a de outros pais com filhos nesta faixa etária.

Mas, o que fazer se você escutar uma criança chorando muito ou que está atrapalhando a sua vida? Uma dica básica: toque a campainha, leve um chá, um bolo, um café fresquinho e ofereça ajuda. Seja empático.

Muitas vezes é uma mãe cansada, sozinha, que está precisando de ajuda. Ela pode estar atarefada preparando o almoço ou outras tarefas da casa e a criança precisa de alguém para distraí-la, dar atenção, enfim, brincar com ela ou dar um colo. Um vizinho ter uma atitude assim é bem mais positiva do que receber um bilhete ofensivo e nada empático, não é verdade?

Foi o que fez a professora Andreas Carvalho  em 2014 no condomínio que morava em Pirituba, em São Paulo. Após amamentar o filho, ouviu o bebê do vizinho chorar sem parar. Decidiu ir oferecer ajuda, mesmo o marido dela questionando se deveria ir já que ninguém quer intromissão na maternagem alheia.

Em seguida, ela postou em um grupo virtual de mães que participa, o Buxixo de Mães, e várias a incentivaram a ir levar um chá e oferecer ajuda. “Levantei do sofá, botei água pra ferver, escrevi um recado pra colar na porta deles. Água fervida na garrafa, duas canecas, em 5 minutos estava saindo. Subi as escadas. BURRA! Vai colocar o recado na porta? Afff, não vão ver, claro! Passei a folha por debaixo da porta. Estava escrito:

“Oi, é a vizinha do apartamento debaixo. Só queria dizer que estou disponível se precisar. Estou na porta, mas pode me ignorar se quiser. Abraço.”

Em seguida, o pai da criança que estava com o filho bebê e o mais velho de uns 12 anos abriu a porta e a pediu para entrar. A mulher dele havia saído e ele não conseguia acalmar o bebê.

“Pedi para pegar ele no colo, sugeri para ele desligar a TV, comecei a embalar o bebê, abracei, falei baixinho com ele, fiz carinho na cabeça dele, peguei na mãozinha. Fiz como se o filho fosse meu. O pai olhando ao lado do mais velho. O menino parou. Jogou todo o seu peso nos meus braços, relaxou”, relembra. Em seguida, ela pediu uma peça de roupa da mãe e colocou ao lado do bebê e falou para o pai deitar ao lado dele. O pai agradeceu pois confessou que não sabia mais o que fazer. Em seguida, ofereceu o chá e o pai contou que saiu com o menino de carro pra ver se ele dormia. Deu duas voltas no quarteirão e nada, resolveu voltar.

“Nunca saberei como minha atitude foi vista. Mas superei o medo de ser vista como uma intrometida quando segui o caminho com empatia, um chazinho e muita vontade de ajudar. Meus braços conseguiram dar a ele o sono que precisava. Meu calor funcionou com um bebê alheio. Inacreditável. Como bem disse uma amiga, aquele bebê me amou por menos de dez minutos”

Leia o relato completo da mãe no blog do Buxixo de Mães.

 

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