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Saiba mais sobre amamentação em bebê com síndrome de Down

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By Giovanna Balogh on 24 de março de 2017 Amamentação, Bebês
Amamentação em bebê com síndrome de Down também deve ser incentivada (Foto: Renata Penna - Fotopoesia)
Amamentação em bebê com Down também deve ser incentivada (Foto: Renata Penna – Fotopoesia)

A amamentação em bebês com síndrome de Down ainda é um tabu. Além de receber a notícia muitas vezes na hora do parto, as mães não são encorajadas a amamentar pela grande maioria dos profissionais de saúde. No entanto, o leite materno traz ainda mais benefícios para o bebê com Down.

A fonoaudióloga e especialista em aleitamento materno  Kely de Carvalho Torres diz que o mais importante é que a mãe que tem um filho com síndrome de Down seja apoiada. “Muitas ainda estão impactadas com a notícia e estão elaborando a questão. Amamentação é um ato psicossomático e ela precisa de ajuda para não prejudicar o aleitamento materno, que é o padrão ouro da alimentação ”, comenta.

Kely explica que o aleitamento materno em bebês com Down ajuda a prevenir a síndrome do respirador bucal, que é uma alteração importante e comum em crianças com Down por conta da hipotonia (redução ou perda do tônus muscular). “A amamentação faz um trabalho muscular que favorece a respiração nasal, que é muito importante. A hipotonia deixa a musculatura mais flácida e pode fazer o bebê ter uma respiração oral e não nasal”, explica. O bebê terá que ser estimulado sempre para fazer a respiração nasal e a amamentação é o melhor exercício que ele pode começar logo no início da vida fora do útero.

O bebê com Down tem muitas características semelhantes como o palato (céu da boca) estreito, maxilar pequeno, respiração oral e desvio de septo. “Isso tudo fica mais acentuado, segundo alguns estudos, com o desmame precoce e o uso de bicos artificias. A amamentação diminuiu em bebês com Down a protrusão da língua, que é ela ficar para fora da boca e também os riscos de infecção auditiva e respiratória”, afirma. Com a amamentação, a criança regula o tônus muscular, facilita o nascimentos dos dentes com maior oclusão (fechamento da arcada dentária), além de manter a língua dentro da cavidade oral.

Kelly ressalta que as crianças precisam ser avaliadas de forma individual pois muitas podem ter alguma patologia cardíaca. “Às vezes o cardiopata faz muito esforço para mamar e não coordena a sucção, deglutição, respiração e com isso pode engasgar, ganhar pouco peso, ter problemas respiratórios, sonolência e consequente desnutrição”,diz a fonoaudióloga, que enfatiza ser importante ter um profissional para auxiliar a mãe e acompanhar o bebê.

Ela explica que é importante a mãe ser orientada sobre as melhores posições para dar de mamar deixando o bebê bem alinhado, com a cabeça um pouco mais elevada para evitar o esgasgo . “A posição de cavalinho ajuda bastante”, comenta a fonoaudióloga (veja dicas no vídeo abaixo).

 

A especialista em amamentação também orienta as mães a  massagear as mamas antes da mamada pois com as mamas muito cheias, o bebê gasta mais energia, se cansa mais, por isso, é importante amaciar a aréola.” O bebê com síndrome de Down tende a dormir muito pois se cansa muito ao mamar, por isso, é importante amamentar em livre demanda, mas não deixar espaçar as mamadas até que a amamentação engate e flua bem. Se tiver dormindo, quando ainda está nos primeiros dias de vida, não deixar dormir mais de duas horas”, diz. É normal o bebê precisar receber complemento por conta do baixo ganho de peso, mas isso pode ser feito por meio de translactação (quando usa o próprio leite materno).

LEIA MAIS: Entenda o que é a relactação e translactação e como ela é feita

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SOBRE A AUTORA
Giovanna Balogh Autora do livro infantil "O Mamá é da Mamãe", que fala sobre o desmame gentil, a jornalista Giovanna Balogh, 41, passou a fazer reportagens sobre parto, aleitamento materno e direitos das mulheres após a maternidade. Ela é mãe de Bento, Vicente e Teresa. Formada em 2002 pela UMC (Universidade de Mogi das Cruzes), trabalhou de novembro de 2005 a abril de 2015 na Folha de S. Paulo onde ocupou diferentes funções. Também foi repórter por três anos do extinto Jornal da Tarde. Após a maternidade, passou a focar sua carreira em saúde materno-infantil. Para entender e escrever melhor nesta área, fez formação como doula, instrutora GentleBirth e consultora em aleitamento materno. Atualmente é responsável pela Agência Mexerica e é pós-graduada em Marketing de Influência na PUC-RS.
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