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Doulas são proibidas de entrar com materiais em hospital de SP

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By Giovanna Balogh on 8 de julho de 2015 Doulas, Parto
Gestante durante indução em sala de parto do São Luiz (Foto: Bia Fotografia)
Gestante durante indução em sala de parto do São Luiz (Foto: Bia Fotografia)

As doulas – mulheres que dão apoio físico e emocional à gestante durante o trabalho de parto – foram proibidas de entrar com seus materiais de trabalho nas salas de parto do Hospital São Luiz, uma das maternidades mais procuradas de São Paulo pelas gestantes em busca de um parto humanizado.

Comunicados  instalados no centro obstétrico informam que ”não é permitida a entrada de bolsas, alimentos externos e utensílios a serem usados no auxílio do parto normal, bem como pessoas sem roupa privativa (incluindo gorro e propé)”.

Procurada, a assessoria de imprensa do hospital confirmou a proibição. A unidade de saúde diz que a medida foi adotada porque segue rigorosamente as regras determinadas pela Vigilância Sanitária. “Por isso, restringe a entrada de utensílios e outros materiais que possam apresentar risco de contaminação cruzada”.

O hospital diz ainda que as salas delivery ficam próximas ao centro obstétrico que, segundo a assessoria, é uma área crítica e que requer maior controle sanitário.

Doula há 12 anos, Mariana de Mesquita explica que as doulas não fazem nenhuma intervenção médica na paciente, ou seja, elas apenas auxiliam com massagens, orientam a parturiente a mudar de posição buscando uma mais confortável, enfim, ajudam a parturiente a aliviar as dores das contrações com métodos não farmacológicos e não invasivos.

Ela diz que as doulas normalmente levam materiais muito simples, como óleo 100% vegetal para massagem, rebozo (um tecido de algodão específico para massagens e posicionamento da mulher), leque para abaná-la, óleos essenciais para aromatizar o ambiente e bolsas para fazer compressa quente ou fria. “Ou seja, nenhum dos materiais pode vir a prejudicar a dinâmica de assistência hospitalar”, comenta.

A doula Lígia Branco conta que em maio foi acompanhar uma gestante e que ao sair do vestiário com uma pequena mochila e uma bolsa de mão foi abordada por uma funcionária.  “Ela me perguntou ‘onde é que você pensa que vai com essas coisas aí?´. Falei que ia doular e que era meu material de trabalho. Ela fez uma verdadeira inspeção constrangedora”, conta Lígia.

A doula comenta que a funcionária questionou cada material e que as justificativas dadas por ela pareciam não ser suficientes. “Ela dizia que os materiais podiam levar contaminação. Ela chegou a dizer que o rebozo poderia acarretar em um acidente físico e o hospital seria responsabilizado. Como vi que a nossa conversa não ia dar em nada, guardei tudo no armário”, diz.

Lígia conta que chegou a ficar perdida para atender a gestante que estava com muitas dores por conta do parto ter sido induzido. Após um tempo, Lígia relata que voltou para o vestiário e pegou poucos itens indispensáveis para ajudar a sua doulanda.

Doula de mãos dadas com gestante durante contração (Foto: Mães de Peito)
Doula de mãos dadas com gestante durante contração (Foto: Mães de Peito)

A mesma restrição enfrentou recentemente a doula Luísa Modena Dutra. Ela conta que a proibiram de usar seus materiais e que só conseguiu entrar com o óleo para a massagem pois já estava com ele em seu bolso. “A gestante já estava com o trabalho de parto muito avançado, então, foi uma baita correria. Fez muita falta não ter a bolsa de ervas para aliviar as dores que ela sentia na lombar”, comenta.

Mariana acredita que a proibição interfere diretamente a mulher que chega em trabalho de parto em uma maternidade. “Vai gerar insegurança para a gestante nos momentos que antecedem o parto e, muitas vezes, ela se sente violada e refém. Precisa do hospital, mas ao mesmo tempo tem que abrir mão de detalhes que fariam toda diferença para ela no trabalho de parto, a exemplo das massagens”, comenta.

Para as doulas, Mariana diz que a restrição vai prejudicar a forma como atuam. “Sabemos que podemos ajudar com métodos simples, que inclusive baixaríamos as taxas de procedimentos mais invasivos, como analgesia de parto”, comenta.

O hospital diz que todo o material que as doulas precisam para atender a parturiente será oferecido pelo próprio São Luiz, inclusive os óleos vegetais.

PLACENTA NÃO PODE SER MAIS RETIRADA

O blog Mães de Peito também teve acesso a um e-mail enviado pela coordenadora médica do hospital para toda equipe de enfermagem onde determina que “não está autorizada a entrega da placenta à puérpera ou responsável”.

Algumas mulheres optam em ficar com a placenta para poder plantar o órgão junto com uma árvore, por exemplo. Quando a placenta fica no hospital normalmente é incinerada.

Para a doula Mariana, ao proibir a mulher de levar a sua própria placenta o hospital afasta as mulheres que querem ter um parto humanizado. “Fica claro o desejo do hospital em dificultar as coisas para afastar um público específico de profissionais e pacientes”, diz.

O hospital diz que por ser tratar de um material biológico, a “placenta  apresenta elevado risco de contaminação quando não verificados todos os procedimentos de segurança”. A assessoria do hospital diz que, por este motivo, foi adotada uma restrição para retirar o material do hospital. “Equipes do hospital já identificaram o manuseio incorreto da placenta por algumas pacientes, oferecendo alto perigo às demais parturientes.”

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SOBRE A AUTORA
Giovanna Balogh Autora do livro infantil "O Mamá é da Mamãe", que fala sobre o desmame gentil, a jornalista Giovanna Balogh, 41, passou a fazer reportagens sobre parto, aleitamento materno e direitos das mulheres após a maternidade. Ela é mãe de Bento, Vicente e Teresa. Formada em 2002 pela UMC (Universidade de Mogi das Cruzes), trabalhou de novembro de 2005 a abril de 2015 na Folha de S. Paulo onde ocupou diferentes funções. Também foi repórter por três anos do extinto Jornal da Tarde. Após a maternidade, passou a focar sua carreira em saúde materno-infantil. Para entender e escrever melhor nesta área, fez formação como doula, instrutora GentleBirth e consultora em aleitamento materno. Atualmente é responsável pela Agência Mexerica e é pós-graduada em Marketing de Influência na PUC-RS.
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