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Não basta só querer ter um parto normal, diz Mariana Ferrão após cesárea desnecessária

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By Giovanna Balogh on 26 de maio de 2017 Cesárea, Histórias maternas, Maternidade Real, Parto, Parto normal

 

Mariana amamenta filho caçula que nasceu de parto normal após cesárea
Mariana amamenta filho caçula que nasceu de parto normal após cesárea

A jornalista Mariana Ferrão, apresentadora do programa Bem Estar da Globo, tem uma história de parto parecida com muitas mulheres no Brasil. Na primeira gestação,ela confiou no médico e acreditou que “bastava querer” para ter um parto normal. No entanto, não foi assim e ela acabou em uma cesárea desnecessária.

Mariana conta que não se preparou para o primeiro parto como no segundo, ocorrido há pouco mais de um ano. “Confiei que tudo ia correr como eu esperava, confiei que meu médico ia respeitar o meu desejo do parto normal, mas não foi o que aconteceu”, relata. Com 39 semanas e cinco dias de gestação, a jornalista recorda que a bolsa estourou e em seguida ligou para o médico que a orientou a ir para o hospital. “Cheguei e estava com 3  centímetros de dilatação, sem nenhuma dor. As contrações eram muito fracas. As enfermeiras informaram o meu obstetra por telefone e ele disse que teria que esperar”, lembra.

LEIA MAIS: Saiba os mitos que levam as mulheres para a cesárea

A jornalista diz que na época, quando estava grávida de Miguel,  não sabia se estava ou não em trabalho de parto e que ficou “à deriva” a noite toda na maternidade sem o médico que, na época, era de sua confiança. Ela conta que houve a troca de plantão da enfermagem e que uma nova enfermeira entrou na sala de pré-parto e quis fazer o exame de toque.

“Eu disse que a enfermeira que havia saído tinha acabado de fazer. Ela falou que era precisava repetir o exame porque não podia confiar no que a outra tinha deixado anotado, achei absurdo, mas ela completou: ‘quem sabe não dilatou um pouco mais e a gente pode esperar um parto normal’. Fiquei animada com esta possibilidade e consenti o exame”, comenta. Vale ressaltar que o exame de toque não deve ser feito de forma rotineira e no caso de bolsa rota (quando a bolsa já está estourada), há risco de infecção além, é claro, do incômodo – e até dor – que o exame causa.

Mariana em trabalho de parto no hospital (Foto: arquivo pessoal)
Mariana em trabalho de parto no hospital

Em seguida, o médico telefonou e a questionou porque ela havia deixado repetir o exame. ‘Você não sabe que isso aumenta o risco de contaminação com a bolsa rota?’ Não, eu não sabia. Quem tinha que saber era ele, certo? Quem tinha que estar lá, me apoiando e brigando com as enfermeiras era ele, afinal de contas além de estar sendo pago para aquilo, ele era o profissional da história. Eu estava tendo um filho, pela primeira vez. Com que mais deveria me preocupar?”, questiona Mariana.

Depois de passar a madrugada toda na maternidade, Mariana lembra que o médico chegou por volta das 8h do dia seguinte dizendo que estava tentando o centro cirúrgico para fazer a cesárea. “Ele disse que eu não tinha dilatado até então, então, não ia dilatar mais. Não tentou induzir o parto, enfim, conseguiu a sala ao meio dia e lá fui eu para cesárea”. Mariana afirma que a recuperação da cirurgia foi terrível pois 10 dias após o nascimento o corte abriu. “Lembro que era um sábado e liguei para o meu médico e ele perguntou ‘tem certeza que você quer que eu vá ao consultório para te ver?’. Eu disse que sim, que estava com dor. Depois de me examinar, caçoou e disse ‘ você está reclamando por isso?’. Chorava de dor e ele disse que talvez eu estivesse com depressão pós-parto. Fiquei muito brava e nunca mais voltei lá”, relata.

LEIA MAIS: Quais são as reais indicações de cesárea

Quando engravidou novamente, Mariana decidiu traçar outro caminho. Além de trocar de médico, buscou fazer fisioterapia do assoalho pélvico, meditação, assistiu filmes, leu livros sobre parto normal e trocou muita informação com doulas e amigas que já tinham passado pelo parto humanizado. Mariana relembra que quando estava com 40 semanas e cinco dias começou a notar algo diferente no seu corpo.

“Quando percebi que não estava conseguindo ler a história para o Miguel dormir, liguei para a equipe e a fisioterapeuta foi em casa fazer massagem na minha lombar, o que aliviou muito pois já estava com bastante dor”.

No caminho de casa para o hospital, a jornalista conta que foi difícil lidar com as contrações, que ficaram ainda mais doloridas. “Cheguei ao andar da maternidade urrando de dor. Assim que entramos na sala de pré-parto a médica chegou. Entrei no hospital às 10h30 e o João nasceu 0h07, de parto natural, sem anestesia – exatamente do jeito que eu queria. Nem fomos para o centro cirúrgico”, diz.

Questionada como foi a sua segunda experiência de parto, Mariana diz que foi “muito melhor” . “Me senti respeitada. Me senti mulher. Me senti poderosa”, diz. O pós-parto também foi mais fácil. “No dia seguinte que saí da maternidade, estava no sacolão fazendo compras. Foi mais difícil no primeiro já que a cesárea me deixou com muita dor na região do corte”. Ela também dá um conselho para quem está grávida e sonha em parir. “Se prepare, busque uma equipe que te respeita e que você sabe que já tem bastante experiência com parto normal.”

Mariana com o filho Miguel
Mariana com o filho Miguel; cesárea desnecessária a fez buscar um parto normal na segunda gestação

PÓS-PARTO E AMAMENTAÇÃO

Assim como a recuperação foi melhor no segundo parto, na amamentação também a experiência foi diferente com o segundo filho. No primeiro, conta Mariana, o desmame ocorreu quando ela retornou ao trabalho quando Miguel, que hoje está com 3 anos,  tinha oito meses de vida. Com João, que está com pouco mais de um ano, ela segue amamentando mesmo com o fim da licença e o retorno das gravações.

Questionada sobre o que é mais difícil em ser mãe de dois, Mariana comenta que é a falta de tempo para ela e por não ser mais dona do seu próprio tempo.. “Eu tento me dividir entre os dois e tento propor brincadeiras que a gente possa fazer junto. também tento o máximo possível vir para a casa e ficar um pouco com o João enquanto o Miguel está na escola”, diz Mariana que, por enquanto, não planeja ter mais filhos.

Mariana com os dois filhos; "após a maternidade não somos donas mais do nosso próprio tempo"
Mariana com os dois filhos; “após a maternidade não somos donas mais do nosso próprio tempo”

 

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3 Comentários

  1. Profa Dra Maria Solange Guarino Tavares on 26 de maio de 2017 1:37 PM

    Isso acontece sempre pela e inexperiencia da mãe e a relação de poder e saber do médico. O que estranho é uma profissional duvidar do exame e das anotações da colega . Sou docente de obstetrícias e essa relação profissional não condiz com um profissional ético e Comprometido com a profissão e a saúde da paciente

    Reply
  2. Luiza on 6 de junho de 2017 11:48 AM

    Não se pode colocar a “culpa” tb no médico. Em casos de bolsa rota tem um período máximo de espera, ele procedeu dentro do padrão. A diferença está em se preparar ou não, e isso é pessoal pois, infelizmente, a cultura do parto normal está sumindo, e as mulheres estão “pagando” por um apoio, pois realmente não é só chegar e parir.

    Reply
  3. Joel Matthis on 18 de dezembro de 2017 10:04 PM

    ok, pode ser parto natural mas com medicos experientes e em ambiente hospitalar. Essas “doulas” não oferecem nenhuma segurança e são apenas modismos arriscados

    Reply
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SOBRE A AUTORA
Giovanna Balogh Autora do livro infantil "O Mamá é da Mamãe", que fala sobre o desmame gentil, a jornalista Giovanna Balogh, 41, passou a fazer reportagens sobre parto, aleitamento materno e direitos das mulheres após a maternidade. Ela é mãe de Bento, Vicente e Teresa. Formada em 2002 pela UMC (Universidade de Mogi das Cruzes), trabalhou de novembro de 2005 a abril de 2015 na Folha de S. Paulo onde ocupou diferentes funções. Também foi repórter por três anos do extinto Jornal da Tarde. Após a maternidade, passou a focar sua carreira em saúde materno-infantil. Para entender e escrever melhor nesta área, fez formação como doula, instrutora GentleBirth e consultora em aleitamento materno. Atualmente é responsável pela Agência Mexerica e é pós-graduada em Marketing de Influência na PUC-RS.
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