Lactante é impedida de entrar com bebê em feira de negócios em SP

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Uma lactante foi impedida de entrar em uma feira de negócios com seu bebê de quase cinco meses que mama exclusivamente no peito. A empreendedora Ina Amoroso conta que na sexta-feira (04/08) chegou na entrada da Craft Design e foi informada que não poderia entrar com o bebê, que estava dentro de um carregador de colo. A proibição ocorreu durante a SMAM (Semana Mundial do Aleitamento Materno), que enfatiza a importância da amamentação.

Assim que foi informada pela recepcionista, Ina e o marido pediram para falar com alguém da organização do evento. “Esperamos por aproximadamente 20 minutos, em pé, até que um dos organizadores nos abordou de maneira impaciente, cínica e desrespeitosa, dizendo que essas eram as normas do evento, que o alvará proibia menores de 14 anos e que o evento, por ser privado, tinha o direito de fazer suas próprias regras”, conta Ina, que há quatro anos vai até a feira.

Ina conta que tentou argumentar com uma das organizadoras que, por ser mulher, achou que seria mais empática com a sua situação.

“Expliquei a ela que eu havia ido à feira à trabalho e que meu filho, por ainda ser pequeno, precisava de minha presença e cuidado constantes, portanto não fazia sentido me separar dele para adentrar ao evento. Em meio à milhares de desculpas incoerentes, ela se ateve à explicação de que a proibição existia por questões de segurança, uma vez que em uma das feiras um pedaço de madeira quase caiu na cabeça de um bebê. Ué, mas um pedaço de madeira é perigoso para qualquer um, e é dever do evento tomar as devidas providências para oferecer um local seguro aos visitantes e expositores, sejam eles mulheres, homens, crianças, idosos, e não excluí-los como maneira de ‘resolver o problema’”, diz a mãe em seu desabafo nas redes sociais.

A empreendedora diz que enquanto tentava explicar a importância de entrar no evento, viu um carrinho com um bebê dentro da feira. “Imediatamente questionamos o porquê daquela exceção e obviamente não conseguiram nos dar nenhuma resposta que fosse minimamente satisfatória. Talvez porque eles tenham percebido a contradição mas não queriam admitir ou talvez porque além do sexismo escancarado em seus discursos, existia ali um ato também racista, já que meu marido e filho são negros e o casal com bebê dentro do evento eram brancos”. Sem conseguir entrar no evento, a família decidiu ir embora.  

“É triste ainda termos de presenciar situações como essa nos dias de hoje. Acho engraçado que se o evento falasse que é proibida a entrada de idosos, por exemplo, muitos perceberiam o absurdo, mas parece que quando entra em questão crianças e bebês, as pessoas normatizam”, lamenta.

Procurada pela reportagem, a organização da feira não retornou os contatos até a publicação deste texto. Na página pessoal da empreendedora, a Craft Design respondeu:  “Queremos esclarecer, mais uma vez, que a Craft Design é uma feira privada de negócios, e como todas as outras feira existentes do setor, não é permitida a entrada de menores de 14 anos mesmo acompanhados. A criança referida estava participando de uma filmagem de alguns minutos, e logo foi retirada da feira. Em nenhum momento houve ato de racismo por parte da Craft Design. Sentimos muito pela má interpretação”.

Não é a primeira vez que uma mãe é impedida de entrar com seu bebê em uma feira de negócios. O Mães de Peito  mostrou outro caso ocorrido em abril deste ano. O advogado Pedro Toledo diz que em São Paulo há leis – uma municipal e outra estadual – que preveem multa aos estabelecimentos que impeçam uma mãe de amamentar.  “Se proibiram de entrar  é porque não iriam permitir que ela amamentasse lá dentro e a lei, no artigo 1º da lei municipal diz que ‘todo estabelecimento localizado no município de São Paulo deve permitir o aleitamento materno em seu interior’”, ressalta.

Ele diz que em casos como esse a mãe deve pegar testemunhas e registrar um boletim de ocorrência e fazer uma denuncia na prefeitura ou no governo estadual  para que o estabelecimento seja multado. “A lei prevê permitir a amamentação mesmo em local privado e fechado. A vítima cabe também buscar o judiciário para pedir indenização por danos morais”.

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