Filha cria empresa para ajudar pai e doentes renais a viajar para fora do país

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Paciente faz hemodiálise em clínica (Foto: Antonio Penedo)

Paciente faz hemodiálise em clínica (Foto: Antonio Penedo)

Pacientes com doença renal raramente viajam pois têm que fazer a hemodiálise duas, três vezes  por semana ou até diariamente dependo de cada caso. Por precisarem da máquina para sobreviver – é por meio dela que é feita a filtragem do sangue – o paciente tem esse compromisso onde passa de 3h a 4h por sessão nas clínicas.

É o caso de Josè Henrique Whitehead, 58, que por ter uma doença hereditária no rim faz diálise desde novembro de 2014. A filha dele, a empresária e jornalista Mariana Whitehead Guimarães, 31, conta que ele sempre gostou de viajar para os Estados Unidos, mas que não ia mais por conta da doença.

Ela diz que quando ele começou o tratamento resolveu procurar informações sobre como fazer a hemodiálise no exterior. “Pediram para a clínica dele aqui no Brasil ligar lá e procurar  vaga. Mas, aí sentimos dificuldades pois o pessoal nem sabia como proceder pois ninguém nunca havia viajado”, comenta.

Mariana diz que aí decidiu procurar as clínicas por conta própria e atender todas as exigências para que ele fosse atendido em outro país. “Como as informações são desencontradas, os portadores de insuficiência renal crônica quase não viajam, então, decidi ajudá-los”, comenta.

Mariana então criou uma empresa chamada Renal Travel, que dá assessoria  para pacientes buscando uma clínica no exterior, agendando as sessões de hemodiálise e lidando com toda a burocracia.  Escolhida a clínica, o paciente precisa apresentar uma série de documentos e exames para serem levados para o exterior.

“Entro em contato com a clínica que ele faz o tratamento, pego todas as informações, traduzo e o médico depois verifica tudo, assina e carimba para então eu acertar tudo com a clínica no exterior”, explica. Mariana comenta que não é uma agência de viagens pois não vende pacotes, mas auxilia o cliente nessa pesquisa de preços e cotações para viajar e elaborar o roteiro que ele desejar.

Mariana começou o trabalho no início do ano e todo atendimento é feito por telefone e pela internet. Segundo ela, o foco do trabalho é viagens internacionais já que a burocracia e exigência são maiores.

A médica Astrid Zanatta, 34, faz hemodiálise há três anos e conta que ficou dois anos sem viajar por conta do tratamento. Ela, que é nefrologista, entende como é difícil para o paciente ter uma vida normal por conta das dificuldades em conseguir tratamento em outras cidades, Estados e países.

A médica conta que no ano retrasado foi para Nova York e que uma empresa responsável pelas máquinas de hemodiálise organizou o tratamento. “Foi muito tenso pois só fui saber o horário das sessões e endereço da clínica quando já estava no aeroporto. Fora que foi muito caro”, comenta.

Astrid durante a sua viagem para os EUA (Foto: arquivo pessoal)

Astrid nos EUA (Foto: arquivo pessoal)

Astrid, que faz tratamento com o pai de Mariana, viajou neste ano para Nova York novamente e adorou a agilidade e o serviço prestado pela Renal Travel. “Saiu quase metade do preço e mais de 15 dias antes já estava com todo o roteiro pronto. Foi muito bom e agora me programo para viajar pelo menos uma vez por ano”, comenta.

Astrid diz que é difícil para o paciente viajar, inclusive, no Brasil pois nem sempre encontra clínicas disponíveis – ou são atendidos por convênio ou pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Para fora é ainda mais difícil por conta do idioma, da documentação exigida”, afirma a médica, que faz hemodiálise quatro vezes por semana. A empresa de Mariana começou a funcionar no início do ano e ela conta que a ideia é ajudar mais pessoas a poder realizar o sonho de conhecer novos lugares sem deixar de cuidar da própria saúde.

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5 Comentários

  1. WILIAN BASTIANELLI em

    BOA NOITE.
    GOSTARIA DE SABER SE PARA ITÁLIA EM ROMA E SORRENTO VOCÊ CONSEGUE AGENDAR ATRAVÉS DO IB2 (CEDAM)?

    AGUARDO RESPOSTA.
    MUITO OBRIGADA.

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