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Cólica de bebê não deve ser tratada com remédios

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By Giovanna Balogh on 15 de julho de 2015 Amamentação
Colo e peito são os melhores remédios para cólica (Foto: Mães de Peito)
Colo e peito são os melhores remédios para cólica (Foto: Lente Materna Fotografia)

Nas primeiras semanas do bebê em casa qualquer choro mais longo ou desconforto do recém-nascido já é batizado de cólica.  A tia já aconselha dar um chá, a vizinha sugere um pozinho ‘milagroso’ que coloca na chupeta da criança e, sem saber o que fazer, muitas vezes a mãe de primeira viagem cede a essas ‘dicas’ que trazem pouco ou nada de resultado.

Ver aquele serzinho com poucos dias ou semanas de vida chorar sem parar é realmente assustador. Vale ressaltar que todo bebê tem uma fase de choro mais intenso, principalmente, entre a sexta e a oitava semana de vida que chega a deixar os pais completamente perdidos e sem saber o que fazer.  A vantagem é que essa fase, que parece interminável, passa rápido.

A pediatra Relva Oliveira explica que não há necessidade de medicar o bebê para cólicas. Ela diz que a maior parte dos choros decorre do descompasso entre as suas demandas e o tempo em que são atendidas. Ou seja, às vezes pode ser fome, calor, frio, fralda suja ou um simples pedido de colo.

A médica diz que o bebê acaba de chegar em um ambiente diferente do que estava acostumado, ou seja, no útero materno não havia luz, nem barulho, nem fome. “Era um ambiente morno, líquido, onde seu corpo tenro era envolvido por calor, vibração e suavidade”, diz a pediatra. O bebê leva cerca de três meses de adaptação, que é o tempo que se completa um ano de gestação intra e extra-uterina.

A médica aconselha aos pais de seus pacientes a pegar os filhos no colo quando  ele chorar sem parar, esticar as perninhas e demonstrar inquietação. “Balance o bebê carinhosamente, enrole ele em um cueiro, cante para ele ou faça barulhinhos com a boca”, comenta.

Normalmente, essas ‘crises’ acontecem em um determinado horário, então, a pediatra sugere fazer uma massagem ou dar um  banho de balde. Essa espécie de ‘ofurô de bebê’  também é um grande aliado pois por conta do formato e da posição que o bebê fica dá a sensação que ainda está no útero materno, o que ajuda a acalmá-lo. A pediatra diz ainda que deitar o bebê de barriga em cima da barriga da mãe ou do pai também ajuda bastante assim como usar bolsas mornas de água ou com ervas.

“O que o bebê precisa mesmo é de contato humano, mas isso tem que ser feito desde o nascimento para que ele ‘saiba’ que vai ser atendido e embalado e que pode contar com a amamentação, de preferência em livre demanda, sem hora marcada”, diz a médica, autora do título O Livro da Maternagem, que ajuda pais a sanar dúvidas sobre cuidados e criação dos filhos.

Ela afirma que quando o bebê sente que a mãe estabeleceu um jeito confiável de maternagem, ele adquire um modo mais tranquilo de suportar as mudanças que seu crescimento exige. Relva ressalta ainda que muitas pessoas alegam “imaturidade” para justificar as cólicas. “Se a ‘cólica’ tivesse uma causa orgânica, não aconteceria com hora marcada nem melhoraria com colo”, diz.

Em seu livro, ela aponta ainda que o estresse materno pode piorar as “cólicas”.  Ou seja, a mãe cansada com privação de sono, cansada de ouvir palpites e da mudança de rotina, fora a instabilidade hormonal e o isolamento e solidão refletem  no  bebê. “Essa nova mãe precisa de sossego para entrar em contato com o bebê,  ceder a seus impulsos e instintos, sem pressa para mergulhar na sua maternagem”, comenta.

A médica recomenda que os pais procurem o pediatra, principalmente, se o choro do filho for inconsolável e intenso. “Se o bebê fizer muita cara de sofrimento é preciso de uma avaliação pois pode ser motivado por refluxo”, explica. A pediatra ressalta ainda que os pais não devem dar remédios sem antes consultar seu médico de confiança.

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SOBRE A AUTORA
Giovanna Balogh Autora do livro infantil "O Mamá é da Mamãe", que fala sobre o desmame gentil, a jornalista Giovanna Balogh, 41, passou a fazer reportagens sobre parto, aleitamento materno e direitos das mulheres após a maternidade. Ela é mãe de Bento, Vicente e Teresa. Formada em 2002 pela UMC (Universidade de Mogi das Cruzes), trabalhou de novembro de 2005 a abril de 2015 na Folha de S. Paulo onde ocupou diferentes funções. Também foi repórter por três anos do extinto Jornal da Tarde. Após a maternidade, passou a focar sua carreira em saúde materno-infantil. Para entender e escrever melhor nesta área, fez formação como doula, instrutora GentleBirth e consultora em aleitamento materno. Atualmente é responsável pela Agência Mexerica e é pós-graduada em Marketing de Influência na PUC-RS.
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